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domingo, 3 de abril de 2011

Obsolescência*

Vejam o que encontrei sobre obsolescência no site (http://www.administradores.com.br): A obsolescência consiste em inutilizar um produto ou serviço pelo avanço de outros (...) Pode ser técnica ou funcional, planejada ou perceptiva (...) É considerada o motor do consumismo (...) Sem ela haveria um número extremamente menor de vendas de produtos ou serviços e, consequentemente, uma redução brusca do faturamento das organizações (...)  A obsolescência é fundamental para a economia. Victor Leboux, analista de vendas e conselheiro econômico do presidente americano Dwight Eisenhower, articulou a principal estratégia para reerguimento da economia depois da Segunda Guerra Mundial, dizendo que: “A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo o nosso modo de vida, que tornemos a compra e uso de bens em rituais, que procuremos nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas em um ritmo cada vez maior”.  São trechos do texto de Gustavo Lincoln Ricardo Pimenta. Gustavo termina o seu texto dizendo que a obsolescência é uma oportunidade para as indústrias e que deve ser feita com certos cuidados para que a empresa não denigra sua própria imagem!

E o outro lado da estória?
A obsolescência (planejada, técnica ou perceptiva) é uma irresponsabilidade humana que coloca os interesses do dinheiro acima de qualquer outra coisa, da ética com o planeta, da perspectiva de futuro para a própria humanidade, do respeito com o consumidor, da educação das futuras gerações e assim por diante.

Obsolescência planejada é um laptop ser construído para durar 3 anos. A partir desse tempo, começa a dar pau. As impressoras são planejadas para durar aproximadamente 2 anos. Depois disso, elas simplesmente resolvem não imprimir mais. Você leva a sua na autorizada e eles não consertam nada, simplesmente reprogramam-na para que ela dure mais algumas impressões e depois travar novamente. Essa brincadeira vai ficando tão cara, que o melhor acaba sendo jogá-la no lixo e comprar outra. Obsolescência planejada também é quando aquela peça que não funciona mais da máquina de lavar roupas custa quase o preço de uma máquina nova. Nem se acha mais quem troque leitor de CD porque não compensa. Temos que trocar o aparelho de som inteiro!

Obsolescência perceptiva é quando uma amiga entra na sua sala e acha cafonérrima aquela TV enorme, mesmo que ela funcione perfeitamente bem. “Você não tem TV de plasma???? Oh!.....”. Também é quando aquela calça lindíssima 6 meses atrás faz todo mundo te olhar de alto a baixo e ter pena, mesmo que seja apenas a terceira vez que você a use.

Obsolescência técnica é esse sucessivo lançamento de celulares ultra-super-mega modernos a cada dois meses fazendo com que você se sinta sempre e sempre defasada, mesmo que você nunca vá ter tempo de usar todos os cinco mil recursos que ele tem e vá somente ligar e receber ligações.

O marketing para fazer a obsolescência parecer normal é tão eficiente, que nos sentimos menores e culpados se não estamos sempre na crista da onda. Teremos sempre mil respostas na ponta da língua para explicar por que trocamos de celular, geladeira ou estante da sala mesmo que tudo funcionasse perfeitamente bem. Pior é quando não funcionam mais e temos que trocar tudo mesmo quando sabemos do impacto absurdo causado pela troca da casa inteira a cada três anos por cada consumidor do planeta  (geladeira e todos os eletrodomésticos, televisão, computador e todos os eletrônicos... isso sem falar do guarda-roupas, que tem que ser renovado a cada nova estação).

Quando assistimos a filmes como “Home”, nos chocamos diante da imagem daqueles tratores gigantescos, do tamanho de um prédio, esburacando o mundo às toneladas por segundo e formando crateras do tamanho de cidades inteiras para extrair do seio da Mãe Terra a bauxita, o cobre, o níquel e tudo o mais. Diante dessa imagem, temos pena e não a associamos à TV de plasma de 40 polegadas na qual o estamos assistindo. Também deletamos da nossa mente, no momento exato em que estamos no caixa pagando, felizes da vida, a nosso novíssimo micro-ondas que vai substituir aquela velharia que não combina com nossa nova cozinha, a imagem das montanhas de lixo que se formam em lugares longe dos nossos olhos e narizes para onde o nosso velho micro-ondas vai parar.

O que fazer para não nos tornarmos reféns e cúmplices desse sistema perverso? Talvez mudar o foco da nossa atenção do Ter para o Ser. Talvez cuidarmos das nossas coisinhas com tanto amor e carinho que elas durem muito mais do que foram planejadas para durar (lembram de Blade Runner?). Talvez nos conectarmos mais intensamente com a natureza, com a Mãe Terra e lembrarmos que recursos dela são arrancados a cada nova compra que fazemos e que lixo se acumula nas suas artérias cada vez que jogamos algo fora. Que a seja dada sabedoria à humanidade e justiça para todos os Seres da Família Planetária! 


* Texto originalmente publicado no "Deusa Viva", jornal mensal da Teia de Thea

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mutirão Agroflorestal na Diversitah

Realizamos nesse final de semana a nossa assembléia anual na Diversitah, da Pat e Gilberto. O Mutirão Agroflorestal reunido é algo sem palavras. É o espaço que se enche de amor e gratidão. É dança, é beleza, é música, é emoção. É manejar juntos e trocar conhecimento. É aprender e ensinar simultaneamente. É o exercício da cooperação, da alegria e do amor incondicional. É deixar marcas de energia amorosa e cura. Obrigada Patrícia! Obrigada Gilberto!

coleta de frutos de tamanqueira (Aegiphilla sellowiana)

frutos da tamanqueira (Aegiphilla sellowiana)




sexta-feira, 11 de março de 2011

1a Oficina de Jardinagem Agroflorestal

Sonho há tempos acalentado, realizo nos dias 9 e 10 de abril uma oficina de Jardinagem Agroflorestal aqui em Abaetetuba, meu jardim agroflorestal do éden e sede brasiliense do Mutirão Agroflorestal. Será uma oficina onde teoria e prática andarão juntas. Discutiremos os princípios e conceitos necessários à implantação e manejo de jardins agroflorestais a partir da observação e da prática. O enfoque dependerá das expectativas e necessidades dos participantes, "transdisciplinando" pela arte, educação e prática agroflorestal.

A oficina terá início no sábado, dia 9/04, às 14h, e se encerrará no domingo, dia 10/04, às 18h. No sábado, a oficina segue até à noite com direito a filme/conversa, caldos e fogueira. No domingo, um almoço com pegada agroflorestal está incluído no pacote.

O investimento é de R$ 100,00 e as inscrições podem ser feitas por e-mail: helena.m.maltez@gmail.com, ou telefone: (61) 3427-1345 ou 8127-7269


quinta-feira, 10 de março de 2011

Mamãe Regando o Jardim

Vejam só o desenho que Janaína fez especialmente para o Buniting! "Mamãe (eu) regando as plantas do nosso Jardim Agroflorestal".

domingo, 6 de março de 2011

Bendita Visita

Recebi, casualmente, uma visita inesperada. Um garotinho vizinho se encantou com o Gandhi, meu cão. Ele tinha uns 3 anos e estava com a babá. Convidei-os para entrar. Entraram, curiosos. O garoto fez carinho no Gandhi e olhou em volta. Janaína chamou-o para brincar. Lá pelas tantas, vieram à cozinha, onde eu lavava a louça, o garoto viu frutas na mesa e pediu uma ameixa. Comeu-a inteirinha. A babá: "Em casa, ele nunca come uma fruta inteira. Sempre deixa a metade"... na frente do menino, sem consciência do reforço que estava dando à atitude que criticava... e sem saber que é assim mesmo... e que é por isso que é tão saudável para as crianças visitarem amigos e vizinhos... principalmente vizinhos como eu (rs)!
A cozinha dá para o quintal atrás da casa, invisível da rua. A porta para o quintal estava aberta, o garoto viu, passou pela porta e num impulso se dirigiu firmemente ao quintal. De repente, tudo muito rápido, como em um filme de suspense, a babá, num grito, agarrou o garoto a arrancou-o daquele impulso em direção à natureza. Apavorada, ela o carregou, esperneando, para dentro de casa e, de dentro para fora pela porta da rua... lugar mais seguro do que aquele quintal tão cheio de plantas!
Foi tudo muito rápido... mal deu tempo de eu dizer-lhe que não havia perigo, que o deixasse solto explorar o quintal, que o quintal era para isso mesmo, para ser explorado e visitado por crianças como ele, que Janaína sempre brincava lá fora em maior segurança.... não sei se eu lhe disse isso tudo... talvez só tenha pensado.
De onde vem esse medo? Essa distância tão grande de algo que deveria ser parte da vida de toda criança? Lembrei das estórias infantis... de João e Maria perdidos na floresta da bruxa da casa de doces, de Chapeuzinho Vermelho encontrando com o lobo mal que comerá sua avó, de Branca de Neve perdida no meio da floresta assustadora do filme de Walt Disney... e pensei no quão eficientes foram em criar essa imagem da floresta como um lugar aterrador e perigoso, lugar que deve ser destruído para que animais peçonhentos, nojentos e perigosos não invadam a nossa casa e a nossa vida....
Lhes parece tão perigoso assim esse lugar?

Abaetetuba em janeiro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Colheita

Iniciamos o primeiro dia de trabalho no quintal com 2 novos estagiários com uma colheita. Época de manga, acerola, framboesa, mamão e goiaba! Colhemos também mandioca, rúcula e temperinhos para o almoço e ervas para o chá! Depois da colheita, agradecemos manejando o quintal com carinho e cuidado. Com o manejo, garantimos mais colheitas abundantes no futuro... um círculo virtuoso que confirma o que ouvi do Mestre Boaventura de Sousa Santos quando entrevistei-o para um vídeo do Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais: que a Mãe é generosa com os filhos a respeitam e cuidam dela.