Postei no youtube o segundo episódio da série de filmes que fiz a partir de imagens gravadas durante o VII CBSAF (Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais), realizado pela Embrapa, em parceria com o Mutirão Agroflorestal, A EMATER-DF e a Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais. Foi um evento realmente incrível, tanto pela temática (o Diálogo de Saberes) quanto pelo formato. Pesquisadores, técnicos, agricultores e estudantes foram convidados a participar ativamente. Foram estimulados a compartilhar seus saberes, pensamentos e conhecimentos de uma forma como eu nunca tinha visto em nenhum evento científico. Conhecimento científico e conhecimento vivencial em pé de igualdade. Ernst Götsch, meu Mestre e amigo, respondeu, quando lhe perguntamos o que ele havia visto de novo nesse evento, que era o fato de que todos, possuindo ou não bens materiais acumulados, tiveram a mesma oportunidade de falarem e de serem ouvidos. Pois é assim que acredito na educação emancipadora e geradora de autonomia. Uma educação que não considere o aprendiz (criança, adulto ou idoso) um saco vazio a ser preenchido com um conhecimento superior. Todos temos o que dizer, todos temos experiências para compartilhar e para gerar reflexões e aprendizados. Todos temos algo a dizer sobre qualquer coisa. Quando começarmos a ouvir e considerar todos os pontos de vista, todas as experiências acumuladas por tanta diversidade de pensamentos e vivências, começaremos a avançar na construção de sociedades realmente sustentáveis. Que seja assim!
Ting é o hexagrama 50 do I Ching. O Caldeirão. Acima: LI, O ADERIR, FOGO. Abaixo: SUN, A SUAVIDADE, VENTO. Minha própria tradução. Um caldeirão borbulhando de idéias, sonhos e movimento. Que dele transborde alimento para a alma. Para a minha e para a de todos os que por aqui passarem. Buniting, para carregar no nome buniteza.
Todo o conteúdo deste Blog é de minha autoria (fotos, textos, filmes), salvo menção expressa. A reprodução é permitida, desde que: a) não haja edição; b) sejam dados os devidos créditos e citada a fonte; e c) não seja feito uso comercial. Agradeço se me informarem.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Sustentabilidade e Sistemas Agroflorestais na Construção de Sociedades Sustentáveis - VII CBSAF
Postei no youtube o segundo episódio da série de filmes que fiz a partir de imagens gravadas durante o VII CBSAF (Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais), realizado pela Embrapa, em parceria com o Mutirão Agroflorestal, A EMATER-DF e a Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais. Foi um evento realmente incrível, tanto pela temática (o Diálogo de Saberes) quanto pelo formato. Pesquisadores, técnicos, agricultores e estudantes foram convidados a participar ativamente. Foram estimulados a compartilhar seus saberes, pensamentos e conhecimentos de uma forma como eu nunca tinha visto em nenhum evento científico. Conhecimento científico e conhecimento vivencial em pé de igualdade. Ernst Götsch, meu Mestre e amigo, respondeu, quando lhe perguntamos o que ele havia visto de novo nesse evento, que era o fato de que todos, possuindo ou não bens materiais acumulados, tiveram a mesma oportunidade de falarem e de serem ouvidos. Pois é assim que acredito na educação emancipadora e geradora de autonomia. Uma educação que não considere o aprendiz (criança, adulto ou idoso) um saco vazio a ser preenchido com um conhecimento superior. Todos temos o que dizer, todos temos experiências para compartilhar e para gerar reflexões e aprendizados. Todos temos algo a dizer sobre qualquer coisa. Quando começarmos a ouvir e considerar todos os pontos de vista, todas as experiências acumuladas por tanta diversidade de pensamentos e vivências, começaremos a avançar na construção de sociedades realmente sustentáveis. Que seja assim!
Mato Amigo*
No meio agronômico, chama-se mato tudo aquilo que você não
quer ver crescer na sua lavoura. Essas plantas indesejadas também são chamadas
de ervas daninhas, ervas más ou plantas invasoras. Imagino que devam existir
dezenas de nomes regionais para essas plantas não queridas pelas pessoas.
Na ideia antropocêntrica de se fazer agricultura, o primeiro
passo é limpar a terra. Tirar da frente tudo o que for verde ou se mexer.
Depois de limpa, planta-se nessa terra as sementes daquilo que se deseja
colher. Geralmente, só uma coisa. Chama-se a isso de monocultivo. Cultivo de
uma única espécie.
Enquanto o que desejamos colher cresce, todo o resto é
considerado mato, erva daninha ou planta invasora quando entra na nossa área.
Qualquer planta que se atrever a germinar naquele solo será arrancada, cortada
ou envenenada. Não há a menor chance de sobrevivência para qualquer outra
espécie que não seja a espécie desejada pelo ser humano que possui aquele
pedaço de chão.
Depois que a planta desejada crescer e produzir aquilo que o
homem quer, se for uma planta anual como o milho, a soja ou o feijão, morrerá e
a terra ficará limpa novamente para que o esse ciclo recomece.
As plantas daninhas são, em regra, odiadas ou às vezes, só
temidas. Há livros e livros dizendo como podemos nos livrar delas. Técnicas
diversas, listas enormes de venenos.
Antigamente, pois, eu também olhava para elas com incômodo.
Não sabia o que pensar e ficava chateada quando cresciam no meu jardim. Ai, que
trabalheira... preciso arrancar tudo aquilo... quanto tempo vai me tomar...
Hoje, tudo se transformou. Sou grata a cada uma delas
individualmente e a todas coletivamente. Elas dão colorido ao meu quintal e
estão sempre dispostas a me ajudar a cobrir o solo quando faço o manejo. Sinto
sua falta quando preciso de matéria orgânica e não há nada disponível e tenho
que trazer de fora. Sinto que há algo errado. De vez em quando, aparece uma
visita casual que me conta que o chá daquela é bom para o estômago e que a flor
daquela outra é comestível. Vou descobrindo pouco a pouco que todas elas tem
uma função, um dom, uma habilidade, uma forma de contribuir para que meu
quintal seja mais bonito e produtivo.
Percebi também que gostam de ser manejadas. Algumas crescem
rápido depois de podadas, fornecendo rotineiramente a matéria orgânica que
preciso para o dia-a-dia. Outras dão florezinhas lindas e delicadas e morrem.
Se cortamo-nas logo depois de florescerem, curtimos as flores e ainda
aproveitamos o restinho de massa para cobrir o solo. Coloco algumas das mais
temidas em vasos e jardineiras onde, reinando, enfeitam e embelezam minha casa.
Descubro novas formas de usá-las ao observar como se comportam, como crescem,
como reagem à poda.
Hoje, quando manejo o quintal, sinto imensa gratidão por
existirem. Convido-as a virem, a se apresentarem, a me revelarem seus segredos.
Nenhuma é indesejada. Como jardineira, agradeço sua existência e utilizo-as.
As plantas que dão a maior parte do alimento hoje (trigo,
milho, arroz, por exemplo), foram um dia plantas daninhas. A cevada era mato no
meio do trigo. Tomou conta e para fazer uma limonada, os agricultores começaram
a domesticá-la. Foi graças a milhares de gerações de agricultores e
agricultoras que trigo, milho e arroz chegaram até nós. Foi com seu incansável
trabalho de plantar, cuidar, colher, selecionar, plantar de novo, todos os
anos, ano após ano, armazenando, trocando, distribuindo... que criaram centenas
de variedades locais adaptadas a cada uma das específicas necessidades. De
todas as cores, de todos os formatos e composições, o milho e o feijão são
exemplos escandalosos. Ambos são latinoamericanos e foram domesticados,
selecionados e adaptados por nossos ancestrais que viveram nessa terra antes de
nós e aos quais devemos boa parte do nosso alimento. Além deles, a abóbora, o
inhame, o cará, a mandioca. A pimenta e o amendoim.
E por onde anda toda essa diversidade? Desaparecendo sob o
mesmo massacre que extermina ainda hoje nossos irmãos indígenas. Sob o massacre
da uniformidade e do controle. Sob o massacre do lucro e da ganância. Sob o
massacre que é para as culturas todas o controle privado da semente, que é a
única possibilidade de futuro.
E nós? Que sementes vamos deixar para as próximas gerações?
*texto originalmente publicado no Jornal "Deusa Viva", da Teia de Thea, em sua edição de outubro.
*texto originalmente publicado no Jornal "Deusa Viva", da Teia de Thea, em sua edição de outubro.
Oficina de Manejo com o Ateliê Angico
O Mutirão Agroflorestal se fortalece quando nos juntamos para plantar, manejar, cuidar das plantas e do lugar onde vivemos. Oficinas e mutirões são momentos e espaços de muito aprendizado e troca. São oportunidades de crescermos como seres humanos comprometidos com a mudança que queremos ver no mundo.
Foi assim que aconteceu na Chácara Murici, durante a oficina "Quintal Agroflorestal: Manejo na Seca" no dia 16 de setembro. Logo em seguida, Mangala, nossa anfitriã, nos regalou com uma linda postagem no blog do Ateliê Angico. Registro aqui para rever, relembrar e, novamente, me alimentar do sentimento de pertencimento que a oficina provocou em mim. O sentimento de estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas, fazendo a coisa certa. Ai... que bom!!!
O link para a postagem da Mangala e as fotos que registraram aquele dia tão especial:
http://www.atelieanjico.blogspot.com.br/2012/09/quintal-agroflorestal.html
PS. A oficina só foi possível de ser realizada graças ao apoio do Ministério da Cultura via Prêmio Tuxaua. Deixo aqui os meus agradecimentos!
Foi assim que aconteceu na Chácara Murici, durante a oficina "Quintal Agroflorestal: Manejo na Seca" no dia 16 de setembro. Logo em seguida, Mangala, nossa anfitriã, nos regalou com uma linda postagem no blog do Ateliê Angico. Registro aqui para rever, relembrar e, novamente, me alimentar do sentimento de pertencimento que a oficina provocou em mim. O sentimento de estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas, fazendo a coisa certa. Ai... que bom!!!
O link para a postagem da Mangala e as fotos que registraram aquele dia tão especial:
http://www.atelieanjico.blogspot.com.br/2012/09/quintal-agroflorestal.html
PS. A oficina só foi possível de ser realizada graças ao apoio do Ministério da Cultura via Prêmio Tuxaua. Deixo aqui os meus agradecimentos!
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Chegou Novamente a Primavera!
O quintal está em festa. Chuva de verão no Equinócio de
Primavera. Chuva de verdade, de gota grande que molha o chão e que lava as
folhas revelando no dia seguinte o verde brilhante que estava escondido sob a
poeira da seca.
O dia seguinte: Passarinhos diversos e muitos gritam,
cantam, berram e chamam sem descanso por seu par. Também chamam a mim e vou lá
ver o que acontece... Logo cedo, descobertas incríveis! As helicônias insinuam
suas flores vermelhas bebida de beija-flores. O ingá insinua seus frutos. Cores
por todos os lados. Flores e plantas crescem a olhos vistos. Levo um susto. A
pitangueira ficou mocinha! Pela primeira vez, mostra suas pequenas e delicadas
flores brancas. Quem sabe ela percebeu que sua mãe morreu e resolveu assumir a
produção de pitangas deste ano! De tarde, mais uma surpresa: as helicônias
exibem suas inflorescências vermelhas matinalmente só insinuadas.
Janaína pergunta: “você gosta mais do inverno ou do verão?”.
Minha amiga, com quem conversamos, responde: “aqui em Brasília, prefiro o
inverno”. Não me lembro como a conversa continuou, mas de repente ouvi Janaína
dizendo: “... no verão faz frio e no inverno faz calor”. Alto lá! Que susto.
Minha filha de nove anos não saber ainda o que é inverno e o que é verão. “não
filha... é ao contrário!”. “Mas mãe, é inverno e está muito calor!”
Pois é, apesar de tudo estar muito bagunçado e no inverno
fazer tanto calor, me sinto invadida por confiança e fé com o início dessa
Primavera com cara de Primavera, com sintomas de Primavera, com indicadores de
Primavera. Quem sabe um novo tempo já anunciado começa a acontecer ao mesmo
tempo em que o caos parece se instalar! Torço para que sigamos assim,
reconhecendo as estações do ano, das quais toda a natureza é dependente. Dois
graus de diferença nas máximas e mínimas podem representar o fim de uma espécie
em algum lugar. Muitas plantas necessitam de temperaturas que atingem um mínimo
nas noites de inverno para florescerem, outras precisam da combinação entre uma
determinada temperatura e um determinado comprimento de dia. A natureza é de
uma enorme complexidade delicada, intrincada, de precisão milimétrica que se
construiu ao longo de milhões e milhões de anos a partir da relação entre os
seres e desses com os ritmos da terra e do céu. Em co-evolução, espécies de
plantas, bichos e microorganismos foram, ao longo do tempo, construindo
sistemas, mecanismos e estratégias que permitiram com que se estabelecessem, se
multiplicassem e deixassem descendentes em um processo que envolveu e envolve
milhares de variáveis dificilmente compreendidas por nossos sistemas
científicos baseados na fragmentação do conhecimento.
Não sendo possível tudo compreender, resta-nos aceitar e
respeitar a inteligência da natureza, seguir seus fluxos, utilizar de todos os
nossos sentidos para agirmos no sentido de ajudar, proteger, perpetuar... ter
sempre em mente fazer parte desse sistema vivo complexo e vibrante ao invés de
querer controlá-lo.
Quem sabe assim nossos netos e bisnetos não se confundam mais
sobre se faz calor no inverno ou no verão.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Oficina de Manejo do Quintal Agroflorestal
Parece que tempo de seca é somente tempo de esperar pelas chuvas e combater o fogo. Que nada! Descobri com o meu quintal que quando investimos em um manejo caprichado na seca, as águas da chuva são muito melhor aproveitadas por todo o sistema. Quando começa a chover, a diferença na exuberância de um quintal bem manejado durante a seca daquele que não foi manejado é gritante. Nessa oficina, discutiremos os aspectos que devem ser observados no manejo e praticaremos juntos. Sejam bem vindos a esse dia que será, sem dúvida, cheio de inspiração e muito aprendizado.
Vida Morte Vida, e o Mundo Gira*
Depois de alguns dias fora de casa, fui regar o jardim.
Saudades imensas de todos que lá vivem, plantas, bichos, seres visíveis e
invisíveis. E como acontece quando encontramos amigos de quem sentimos
saudades, eu estava louca para saber das novidades.
O ingá de metro que plantei na frente da janela do meu quarto todo em flor! A primeira florada. Flores esvoaçantes de pistilos brancos exibicionistas. Estrelas brancas dançando com o vento. Pompons de natal cor de neve em pleno inverno tropical. Amo ingá de metro. Havia um deles no quintal da minha infância. Lá no fundo do quintal, que para mim era imenso, sem fim. Eu subia nele para colher aquelas vagens compridas e gordas, já em ponto de explodir para fora o algodão branco do seu interior. Ao abrir as vagens, aquele aroma adocicado da minha infância subia e penetrava meus sentidos. Pura delícia de fruta selvagem, não domesticada, nem melhorada, nem piorada pelos dedos dos homens tecnificados. Apenas pelos dedos daqueles que a amam comer e foram espalhando as sementes das frutas mais gostosas e carnudas por aí. Sementes pretas escorregadias que pedem para ir ao solo imediatamente. Recalcitrantes, não resistem muito tempo e perecem logo depois que sua polpa branca e cheirosa é comida. Prova de que é árvore da mata de galeria, da mata ciliar, da mata que fica na beira dos rios, mata sempre molhada que não se importa se lá fora é tempo de seca ou de água.
Segunda novidade: a pitangueira morreu. Aquela cujo fruto aparece no final do filme que fiz para o TEDx Buenos Aires e no qual mostro meu quintal agroflorestal. A mãe daquele fruto que aparece imenso sobre a mão de Janaína, minha filha caçula. Aquele fruto foi um dos últimos, imenso e produzido fora de época só para enfeitar o filme, junto com outros 3. E a pitangueira morreu. Parte das folhas secaram ainda presas à árvore. Fiquei muito tempo observando e tentando compreender o que havia acontecido. Até que, de repente, me dei conta de que não se tratava de compreender, mas simplesmente de aceitar. E também agradecer pelas tantas colheitas maravilhosas que forraram o chão ao seu redor e nossos pratos de vermelho. Pensei no ho'oponopono: sinto muito, me perdoe, tem amo e sou grata. Tenho feito essa oração acrescentando antes dessas afirmações: eu aceito.
Ali, de pé, aceitando a morte da pitangueira, olho para baixo e o que vejo? Muitos e muitos filhotes da pitangueira. De vários tamanhos. Logo crescerão e produzirão deliciosos frutos também. E o ciclo recomeça, cada vez mais abundante, em novo patamar de aceitação, perdão, gratidão e amor.
O ingá de metro que plantei na frente da janela do meu quarto todo em flor! A primeira florada. Flores esvoaçantes de pistilos brancos exibicionistas. Estrelas brancas dançando com o vento. Pompons de natal cor de neve em pleno inverno tropical. Amo ingá de metro. Havia um deles no quintal da minha infância. Lá no fundo do quintal, que para mim era imenso, sem fim. Eu subia nele para colher aquelas vagens compridas e gordas, já em ponto de explodir para fora o algodão branco do seu interior. Ao abrir as vagens, aquele aroma adocicado da minha infância subia e penetrava meus sentidos. Pura delícia de fruta selvagem, não domesticada, nem melhorada, nem piorada pelos dedos dos homens tecnificados. Apenas pelos dedos daqueles que a amam comer e foram espalhando as sementes das frutas mais gostosas e carnudas por aí. Sementes pretas escorregadias que pedem para ir ao solo imediatamente. Recalcitrantes, não resistem muito tempo e perecem logo depois que sua polpa branca e cheirosa é comida. Prova de que é árvore da mata de galeria, da mata ciliar, da mata que fica na beira dos rios, mata sempre molhada que não se importa se lá fora é tempo de seca ou de água.
Segunda novidade: a pitangueira morreu. Aquela cujo fruto aparece no final do filme que fiz para o TEDx Buenos Aires e no qual mostro meu quintal agroflorestal. A mãe daquele fruto que aparece imenso sobre a mão de Janaína, minha filha caçula. Aquele fruto foi um dos últimos, imenso e produzido fora de época só para enfeitar o filme, junto com outros 3. E a pitangueira morreu. Parte das folhas secaram ainda presas à árvore. Fiquei muito tempo observando e tentando compreender o que havia acontecido. Até que, de repente, me dei conta de que não se tratava de compreender, mas simplesmente de aceitar. E também agradecer pelas tantas colheitas maravilhosas que forraram o chão ao seu redor e nossos pratos de vermelho. Pensei no ho'oponopono: sinto muito, me perdoe, tem amo e sou grata. Tenho feito essa oração acrescentando antes dessas afirmações: eu aceito.
Ali, de pé, aceitando a morte da pitangueira, olho para baixo e o que vejo? Muitos e muitos filhotes da pitangueira. De vários tamanhos. Logo crescerão e produzirão deliciosos frutos também. E o ciclo recomeça, cada vez mais abundante, em novo patamar de aceitação, perdão, gratidão e amor.
* Texto publicado originalmente na edição de 31 de agosto de 2012 do Jornal "Deusa Viva", da Teia de Thea (www.teiadethea.org).
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Manejo Agroflorestal do Quintal: um mutirão agroflorestal inesquecível
Aconteceu no domingo, dia 19 de agosto de 2012. Um domingo perfeito com pessoas lindas e incríveis. Mas... vamos às fotos:
Os meninos chegaram cedo... loucos para podar tudo, cheios de energia e alegria. Iago, Demétrio, Lucas e Tarcísio. Nessa foto, acho que Tarcísio e Iago nem sabiam que estavam sendo fotografados. Os sorrisos são de verdade! Pedi que escolhessem onde queriam manejar. Escolheram esse lugar, embaixo do abacateiro, forrado de helicônias velhas. Pronto. Começou a cortação geral... Importante: picar bem e deixar tudo arrumadinho, encostadinho no chão, bem espalhado, cobrindo bem o solo. Nesses tempos de seca, o negócio é deixar a terra protegida. E, também, prestar bem atenção para não cortar nem pisar nos bebês de árvores espalhados pelo quintal.
Olha aí o Lucas e o Tarcísio trampando firme. Bonito de ver!
Esse foi o grupo da manhã. Nesse momento, no meio do dia, alguns já tinham que ir. Outros chegariam em breve. Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Tarcísio (moço sorridente e silencioso), Armin (que deu um trampo incrível!), Lucas (moço sensível), Loise e Leo (visitantes de primeira viagem, adorei terem vindo; grata pela sacola de sementes... que presentaço!), Lena, Araci (cujas palavras me emocionaram muito logo na roda de abertura), Iago (o tarzan do dia), Mônica, Demétrio (o ajudante de tarzan), Helena (eu) e Aline (amiga querida cada dia mais linda). Inclusive, a Aline e o Guilherme foram os responsáveis, junto do a Lena, pelo almoço espetacular que deu o tom de saciedade e abundância à oficina. Gratidão eterna. Aqui nessa foto de baixo, a Aline e o Guilherme abrem castanhas para o delicioso molho pesto que prepararão para nós em seguida.
Enquanto isso, Isabela, a filha do casal, livre, leve e solta, explora as possibilidades de brincadeira no quintal. Inspiração para a oficina das Crianças!
Aha!
Onde está Wally? Digo, onde está Demétrio???
Tarzãs do dia!!!
Adivinhem a altura em que se encontra o rapaz abaixo...
Adivinhem a altura em que se encontra o rapaz abaixo...
Pois é.
E eu, tocando sininho loucamente, anunciando o almoço... achei que comida podia ser algo atraente para moços jovens e cheios de energia, mas que fome o quê? Quem é que tira o moço la de cima? Parece a Patrícia que, quando subiu, não descia nunca mais de tão bom que é ficar lá em cima.
É isso!
É isso!
Arvorismo de quintal, nova modalidade de esporte: esporte agroflorestal!
Ufa... todo mundo desceu, e vamos almoçar! Dá para perceber a felicidade no ar?
E o povo foi chegando, durante e depois do almoço: Sérgio, Fabi, Cláudia, Daniella, Laís e Daniel, Marcelo. Aliás esses últimos dois estão aí nessa foto de baixo, picando e arrumando sobre o solo a enorme quantidade de massa que veio para o chão com a poda do abacateiro. Alimento para os bichinhos fungos. Que proliferem, tornando cada vez mais vivo o solo desse lugar!
Aqui, Lena, depois de nos ter alimentado com seu banquete feito de amor, coloca a mão na massa também na organização do material podado. Na foto ao lado, escondida no meio das folhas está a Fabiana, mostrando ao Tarcísio como se maneja um bananal.
Agora, Iago trabalha no chão, em segurança, para minha alegria! Cortar e organizar assim o material no chão faz a gente se sentir parte. Uma coisa tão simples e tão profunda. O tipo de coisa que só a poesia pode, talvez, ser capaz de descrever. Algo que não se aprende em livros nem em filmes.
Algo que só a vivência pode nos fazer sentir. Só viver torna possível existir.
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