Quanta saudades desse BuniTing!
Mas durante o sumiço, muita coisa aconteceu...
Voltei a trabalhar com André Lima no Mapa DF Sustentável, dando continuidade a projeto iniciado em 2010, cujo objetivo é identificar, mapear, visitar, filmar e divulgar iniciativas em sustentabilidade no Distrito Federal.
Enquanto uma parte da equipe trabalha no site do Mapa: www.mapadfsustentavel.com.br e o André, na coordenação geral do projeto e em plena campanha para Deputado Federal, se desdobra em 1234 pessoas para estar em todos os lugares ao mesmo tempo, eu rodo o DF com ele filmando projetos, pessoas, iniciativas, lugares e ações que apontam para o que desejamos, ou seja, um DF Sustentável.
Estamos conhecendo muita gente bacana e batalhadora, o que nos enche de esperanças. Também estamos vendo os enormes desafios a transpor para a plena realização nos nossos sonhos de beleza e justiça, paz e prosperidade, o que nos estimula a trabalharmos mais e mais.
Agradeço aqui ao André pela maravilhosa oportunidade, a todos os que nos recebem de braços abertos para compartilhar suas histórias, desejos, sonhos e visões de mundo, assim como aos meus amigos músicos que gentilmente têm permitido que eu use sua arte para embelezar a minha.
Veja só quanta coisa linda vem acontecendo no nosso Distrito Federal no canal do youtube que criamos para postar os filmetes que estou produzindo:
https://www.youtube.com/channel/UCH3vmcAEEyjX1dInVTGCVwg
Ting é o hexagrama 50 do I Ching. O Caldeirão. Acima: LI, O ADERIR, FOGO. Abaixo: SUN, A SUAVIDADE, VENTO. Minha própria tradução. Um caldeirão borbulhando de idéias, sonhos e movimento. Que dele transborde alimento para a alma. Para a minha e para a de todos os que por aqui passarem. Buniting, para carregar no nome buniteza.
Todo o conteúdo deste Blog é de minha autoria (fotos, textos, filmes), salvo menção expressa. A reprodução é permitida, desde que: a) não haja edição; b) sejam dados os devidos créditos e citada a fonte; e c) não seja feito uso comercial. Agradeço se me informarem.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Jardinagem Agroflorestal na EIT - Centro de Ensino Médio de Taguatinga
O namoro começou em 2012.
Em 2013, o projeto começou. Graças à abertura da direção da escola e ao esforço da professora Flávia, pessoa linda, profissional incrível, parceira especial.
Foram muitos encontros em 2013. Quase mensais.
No dia 5 de abril, reiniciamos nossas atividades e realizamos a primeira oficina de 2014.
Logo na chegada depois desses meses longe, fico impactada com o resultado do trabalho, com o colorido das flores no meio dos verdes das folhagens!
Como em todo início de oficina, primeiro observamos o que já está, o que já existe, como estão os seres que vivem ali. E, como em toda oficina, começamos com a limpeza dos canteiros. Incrível as pessoas jogarem lixo nos canteiros mesmo estando evidente de que não se trata de uma lixeira, mas de um canteiro de flores e ervas! Como chegar a essas pessoas? Quem serão? Como ajudá-las a perceber o que fazem? Temos que aprimorar nossas estratégias. Combinamos que um grupo irá de classe em classe explicando o trabalho e pedindo a colaboração. Veremos se funciona...
Falei sobre responsabilidade e liberdade. Um na medida do outro. Sobre minha defesa da liberdade, a convocação à responsabilidade. Também falei sobre compromisso com o cuidado. A vida exige cuidado permanente. Não adianta ir lá, plantar as mudinhas e achar que está feito, que está pronto. Nunca está pronto. E talvez esse seja o maior dos aprendizados. A constatação de que não há um lugar onde chegar, há o prazer do caminhar. Me sinto plagiando alguém, mas quando a coisa é óbvia, é assim mesmo, muitos já disseram antes e outros descobrirão mais adiante. A jardinagem agroflorestal, não sendo de contemplação, mas de participação, exige ainda mais essa parceria. Por outro lado, as recompensas são muitas e fartas.
Ainda somos poucos jardineiros, mas o ânimo é muito, então... mãos à obra! Depois de tirar o lixo, manejamos os canteiros implantados na última oficina de 2013 e que contou com a participação especial da Fabiana, companheira do Mutirão Agroflorestal. No final dessa oficina, realizada dia 23 de novembro de 2013, deixamos os canteiro com as letras EIT assim:
Foi uma pena não termos tirado uma foto no início daquela oficina. Havia somente um pouco de terra no fundo das letras e nada de vida. Ao chegarmos agora em abril, encontramos o canteiro assim, com tudo crescido, as mudas "pegaram" e muito mato:
Com nosso cuidado, com nosso manejo, ficou assim:

Finalmente, já pensando na próxima oficina, preparamos vasinhos com sementes de hortaliças. Quem sabe consigamos preparar um canteiro bem bonito e fazer uma horta agroflorestal na EIT! Já escolhemos até o lugar. Tomara!
Em 2013, o projeto começou. Graças à abertura da direção da escola e ao esforço da professora Flávia, pessoa linda, profissional incrível, parceira especial.
Foram muitos encontros em 2013. Quase mensais.
No dia 5 de abril, reiniciamos nossas atividades e realizamos a primeira oficina de 2014.
Logo na chegada depois desses meses longe, fico impactada com o resultado do trabalho, com o colorido das flores no meio dos verdes das folhagens!
![]() |
| Agora, em em abril de 2014, está assim! |
![]() |
| Mas quando começamos, em março de 2013, esse canteiro era assim! |
![]() |
| É inacreditável, mas muito lixo ainda é jogado no canteiro e em todo início de oficina temos que retirá-lo. Seria uma bela economia de tempo não precisar fazer isso toda vez! |
Falei sobre responsabilidade e liberdade. Um na medida do outro. Sobre minha defesa da liberdade, a convocação à responsabilidade. Também falei sobre compromisso com o cuidado. A vida exige cuidado permanente. Não adianta ir lá, plantar as mudinhas e achar que está feito, que está pronto. Nunca está pronto. E talvez esse seja o maior dos aprendizados. A constatação de que não há um lugar onde chegar, há o prazer do caminhar. Me sinto plagiando alguém, mas quando a coisa é óbvia, é assim mesmo, muitos já disseram antes e outros descobrirão mais adiante. A jardinagem agroflorestal, não sendo de contemplação, mas de participação, exige ainda mais essa parceria. Por outro lado, as recompensas são muitas e fartas.
Ainda somos poucos jardineiros, mas o ânimo é muito, então... mãos à obra! Depois de tirar o lixo, manejamos os canteiros implantados na última oficina de 2013 e que contou com a participação especial da Fabiana, companheira do Mutirão Agroflorestal. No final dessa oficina, realizada dia 23 de novembro de 2013, deixamos os canteiro com as letras EIT assim:
Foi uma pena não termos tirado uma foto no início daquela oficina. Havia somente um pouco de terra no fundo das letras e nada de vida. Ao chegarmos agora em abril, encontramos o canteiro assim, com tudo crescido, as mudas "pegaram" e muito mato:
Com nosso cuidado, com nosso manejo, ficou assim:

Mas é no detalhe que vemos a diferença (e também um mês depois que é quando o resultado do manejo realmente aparece - fotos de maio nos mostrarão):
![]() | |
| Um visitante inesperado nos mostra que a vida se faz presente no nosso canteiro. E é isso que queremos, cada vez mais vida! |
E que incrível! No manejo, ao podar as arrudas e melissas, pudemos preparar mudinhas para os próximos plantios. Na jardinagem agroflorestal é assim, a regra é a abundância. Vida gerando cada vez mais vida. Sementes e estacas produzidas na própria área se espalham, expandem-se, multiplicam as possibilidades, plantio e canteiros, gerando cada vez mais vida no lugar da nossa intervenção.
![]() |
| Mudinhas de arruda preparadas com estacas que tiramos no manejo do canteiro. |
Também manejamos o círculo de árvores plantado em novembro de 2013. Uma grata surpresa... dois mamoeiros bem desenvolvidos e bebês de ipê roxo, graviola. Melissa, flores do tipo maria-sem-vergonha. Um circulozinho tão pequenino e já tem flor, erva, árvore e fruta!
![]() |
| Pronto, solo coberto novamente, o que deverá ser feito em toda intervenção nesse canteiro. |
![]() |
| Essa foto foi tirada na oficina de novembro de 2013, no dia do plantio. Quanta diferença já! |
terça-feira, 11 de março de 2014
Criança e Movimento
"Mamãe, eu acho muito chato ficar parada" (Jana, 8
anos)
Vida é movimento.
Criança é movimento.
Impedir esse movimento é sabotar o seu crescimento, a sua
expansão.
Quando a gente se movimenta, ocupa um lugar maior no espaço.
Isso é Expansão.
E o que todos queremos?
Você não quer se expandir?
Expandir sua percepção, sua intuição, sua ação no mundo?
Mas muita gente se expandindo ao mesmo tempo exige que
nossas expansões se integrem, se mesclem, se tornem o que sempre já foram: um
Ser só.
Ah... quantos desafios... no se colocar totalmente à
disposição de se mesclar com o outro...
O mundo, para a criança, está em constante movimento. O
mundo parado a incomoda. Por isso ela se mexe o tempo todo. Crianças que são
tolhidas no seu movimento ou na sua criatividade (atributo diretamente
relacionado ao movimento), poderão, se não se cuidarem ao longo do caminho,
tornarem-se adultos amargos, violentos ou tristes. Você conhece alguém assim?
Ainda bem que sempre há tempo de olhar para isso de frente e fazer o que tem
que ser feito, que é que viemos fazer nessa temporada por aqui: desenvolver
nossos dons e talentos e colocá-los a disposição do mundo.
É por isso que, por mais que isso às vezes seja
enlouquecedor, é importante que deixemos os movimentos e criatividade de nossas
crianças se expressarem, temos que deixar seus movimentos livres, é necessário
que confiemos e deixemos. Sejamos honestas com elas. Podemos falar dos nossos
limites, das nossas dificuldades. Podemos lhes falar dos riscos. Podemos e
devemos partilhar responsabilidades e cuidados uns com os outros.
É claro que também é importante mostrarmo-lhes o quanto é
bom o estado de contemplação, da calma, o estado meditativo. O quanto é bom
simplesmente observar, ouvir, ver, sentir, sem ter que, a todo momento nos
expressarmos, nos movimentarmos tanto, falarmos tanto. Mas só uma criança
saciada de movimento conseguirá ficar parada. Tudo bem que algumas parecem ser
insaciáveis. O que fazer com elas? Dar-lhe uma gotinha ou uma pílula mágica
que, de um segundo para o outro a tornará uma criança calma e dócil? É uma
opção. Que eu não faria nunca.
Prefiro saciá-la de movimento e me surpreender com o sorriso
largo, a gargalhada solta, o olhar brilhante da criança que se expande. Há
muitas crianças dentro de adultos querendo se expandir. Deixe...
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Sincronicidade daquelas inexplicáveis: acabo de ler "Nordeste", de Gilberto Freyre, colocado magicamente em minhas mãos por Dorinha Melo para inspirar a edição do filme que está na máquina. Pego ao acaso um Mais! de 2000 e caio em um texto sobre um outro Pernambucano arretado, o crítico de arte Mário Pedrosa e também um texto do amigo de Gilberto Freyre, o escritor médico Silva Melo que já, naquela época, falava dos efeitos desastrosos do açúcar refinado, do arroz branco e da Coca Cola na saúde. Para descansar um tiquinho, resolvo ligar meu VHS que já estava com um filme ao acaso dentro. Dou de cara com "Pérfida", aquele filme de William Wyler de 1940 em que Bette Devis é uma megera terrível do sul norte americano do algodão do século retrasado... mas poderia ser um Engenho da Zona da Mata Nordestina dos primeiros séculos da colonização do nosso país ou até uma Usina dos tempos atuais. Quer mais sincronicidade? Eu, que nunca ligo o rádio, caio sem querer numa fala do Presidente do Senado.
| Sou eu... filmando na Zona da Mata Nordestina em foto de Fábio Pereira |
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Quem Molha... Olha.
![]() |
| Mamãe Helena Jardineira por Janaína, 2011 |
Quando chega
a seca, nova tarefa se impõe: a de, diariamente, molhar as plantas do meu jardim
agroflorestal. Um dia sem molhar no auge da seca pode ser fatal, principalmente
para as hortaliças que tão generosamente nos alimentam.
Para otimizar meu tempo e o uso da água, uma estratégia que implementei
no meu jardim foi a de dividi-lo em 3 zonas. A primeira zona é a que não molho
nunca. Como não há vida sem água, as plantas que aí moram são, além de
resistentes à seca, capazes de desenvolver raízes muito longas que buscam água
nas profundezas da terra. Outras são capazes de aproveitar ao máximo a umidade
do orvalho pré-matinal até a época de chuvas abundantes retornar. Nessa zona,
as nativas ficam bem, já que são totalmente adaptadas ao regime hídrico da
região. Nesta zona ficam as áreas mais afastadas da casa, onde há
principalmente árvores e bananeiras (que nem ligam para a seca) e plantas tão adaptadas
aos ciclos de chuva-seca que parecem morrer na seca para renascerem vigorosas
nas chuvas como, por exemplo, a taioba, a cúrcuma e as helicônias. Aí também
estão as suculentas como a Folha da Fortuna,
que não pode faltar em nenhum jardim, não somente por conta da sua lindíssima
florada, mas também por suas muitas outras qualidades.
![]() |
| folha da fortuna em flor |
A Folha da Fortuna, cujo nome Yorùbá é
Àbámodá (que significa “O que você deseja,
você faz”) representa a multiplicação e a prosperidade. É capaz de afastar
coisas nefastas e trazer muitas realizações. Os herbalistas a usam para a cura
de doenças de pele, como feridas, furúnculos, úlceras e dermatoses em geral.
Também é diurética, combate encefalias, nevralgias, dores de dente, diabetes,
coqueluche e afecções das vias respiratórias.*
Meu cuidado
com essa zona que nunca irrigo é o de cobrir o solo com folhas e galhos, o que protege
as raízes do ressecamento e mantém um ambiente apropriado para que sementes,
tubérculos e rizomas durmam sossegados na terra até que as chuvas novamente
molhem o solo, despertando-os para o verão.
A segunda zona é a que eu molho semanalmente. Vivem aí somente as plantas que suportam este ritmo de irrigação. Como o jardineiro de Cecília Meireles, jogo água sabendo que não conseguirei molhar o solo de verdade. Mais do que matar a sede das plantas, molhar tem, nesta zona, a função de me colocar em contato, de me fazer presente, de me fazer olhar para cada uma das plantas ali viventes e dizer-lhes do meu amor. Aí estão também plantas que não suportariam ficar sem água durante muitos meses, mas que ‘seguram a onda’ da seca com uma leve molhada semanal. Não insisto em manter nessa zona as plantas que sofrem sem a água diária. No início da época das chuvas, planto muitas sementes, estacas e mudas novas para descobrir quem são as que melhor se adaptam à irrigação semanal. Tento e experimento abundantemente, sabendo que somente algumas ficarão no lugar. Não insisto com as que não aguentam, artificializando demais as condições ambientais. Deixo para lá e tento outras. Algumas das que tenho nessa zona, além das árvores ornamentais e frutíferas (que não dependem da minha irrigação depois de estabelecidas) são agave-dragão, mirra, íris, babosa, framboesa, entre outras. Aliás, muitas plantas adoram esse regime de irrigação. Suas raízes nem gostam de solo encharcado e podem apodrecer se molharmos demais.
Finalmente,
a terceira zona é a que molho quase todos os dias. Aí ficam as flores da
entrada da casa, as hortaliças, o canteiro de temperos e medicinais, além de
algumas mudinhas amazônicas que plantei recentemente e que gostam de muita água
como o açaí, a pupunha e o cupuaçu. A maior parte dos temperos e medicinais
tradicionais tem origem mediterrânea (hortelã, manjericão, salsinha, etc.) e
adoram o ar seco e o friozinho da nossa estação seca. Molhando o solo
diariamente, é nessa época que ficam mais lindas, saudáveis e produtivas, assim
como as hortaliças tradicionais (alface, mostarda, rabanete, beterraba, cenoura...).
Alguns
cuidados: os melhores horários para molhar o jardim são o comecinho da manhã,
com o raiar do dia, e o finalzinho da tarde. Quando a seca coincide com a época
mais fria do ano, é bom evitar molhar as folhas se a irrigação é feita no final
do dia. Há muitos fungos que adoram o frio junto com a umidade e molhar sempre
as folhas no início da noite pode favorecer os mofos, ferrugens, manchas, oídios
e míldios que deixam nossas plantas tristes, feias e doentes. Molhar no meio do
dia é melhor do que nada, mas o mesmo cuidado é necessário. Ao molhar as folhas
no meio de um dia quente e seco, a temperatura na superfície foliar cai, o que
engana a planta. Ela pensa que está nublado, abre seus estômatos para respirar
e... desidrata... porque na verdade está sol e seco. Pode até morrer! Portanto,
molhamos abundantemente as folhas somente quando a irrigação é feita no começo
do dia, senão, melhor mesmo é molhar o solo, ao pé das plantas. Ainda, quando
molhamos no meio do dia, a água rapidamente evapora e pouco fica para matar a
sede das plantas. Quando irrigamos ao final do dia, a umidade permanece por
perto por muito mais tempo no ambiente, hidratando profundamente todo o
sistema.
Certa vez,
alguém me falou de um ditado antigo que diz que “quem molha, olha”. Achei
perfeito. Molho para olhar. Molho e olho. É nesse momento que vejo quem precisa
de um cuidado extra, quem precisa de poda, de manejo, quem precisa sair do
sistema, ter suas sementes ou frutos colhidos ou ser multiplicada para virar
mudas espalhadas pelo jardim. Molhar as plantas é um momento de muito prazer e
conexão com minhas companheiras de moradia. Por isso, acho que é bacana, mesmo
quando optamos por irrigar mecanicamente (com sistemas adequados ao seu
jardim), mantermos alguns pedaços do jardim sob irrigação manual. O conforto do
sistema automático pode nos afastar do jardim e... quando percebemos... há meses
que não vamos lá olhar as nossas plantas. A responsabilidade em molhar o jardim
diariamente nos “obriga” a estar presente e a nossa presença é o que faz o
jardim feliz. Assim como acontece com a nossa relação com as pessoas que
amamos, algumas “obrigações” são muito bem vindas e nos aproximam. Foi minha
“obrigação” de levar minha filha diariamente para a escola na sua transição
entre a infância e a adolescência que criou o espaço perfeito para que eu
pudesse ouvir suas angústias, reflexões, partilhas ao longo do trajeto que
fazíamos de carro. É a “obrigação” diária de acordar cedíssimo e cobrir minha
caçula de beijos de bom dia que gera nosso espaço secreto de amor e confiança
durante o qual ela me conta o que sonhou durante a noite. Assim como é na
“obrigação” de colocá-la para dormir lendo histórias que posso compartilhar
minhas visões de mundo e meu amor pela leitura.
Por isso, é
com gratidão que, diariamente, molho as minhas plantas, na mangueira mesmo, em
meditação, cantando mantras e conversando com elas. Ao segurar na mangueira e
sentir a água passando, lembro-me que a água é o meio universal que conecta
todos os Seres. Imanto nessa água, capaz de carregar sentimentos e emoções, o
meu profundo amor. O Jardim? Responde com beleza e alimento!
quinta-feira, 27 de junho de 2013
A Transformação que Queremos está nas Ruas?
O que estamos fazendo com o nosso planeta, com os nossos corpos e com as nossas relações me estarrece. Minha militância e serviço tentando compreender e agir diante desse cenário é permanente. Os que me conhecem sabem disso.
Ainda não consegui elaborar muito bem o que penso e sinto diante disso tudo que está acontecendo. Alguns dizem que vivemos um momento histórico. Outros estão começando a ficar apavorados com a ideia da volta violenta da direita.
Sim... queremos mudança. Vivemos tempos de intolerância, dor e injustiça que estão chegando a limites insuportáveis. Está claro que o caminho que tomamos está errado e que algo deve ser feito.
De um lado, desejo firmemente a paz e a não violência. Acredito no caminho do diálogo e da compreensão mútua. Acredito no caminho do acolhimento e do amor incondicional.
De outro lado fico pensando... será que alguém acredita que uma mudança pela via política pode acontecer sem perda nenhuma? Pensar em uma revolução sem uma gota de sangue, sem nenhum vidro quebrado é algo realista? Alguém realmente acredita que os que se beneficiam da realidade que vivemos abrirão mão gentil e pacificamente de suas regalias? Alguém realmente acredita que os viciados em dinheiro e poder vão largar o osso sem reação? Alguém realmente acredita que, do jeito que a humanidade anda doente, não haverá loucos no meio da multidão?
Acho muito curiosas a indignação com o vandalismo e a perplexidade diante das contradições. Não defendo a violência, muito menos o vandalismo. Jamais. Mas também não acho que podemos ser ingênuos a ponto de achar que sairemos sem nenhum arranhão desse embate com os dententores do poder.
Como fazer, então, a mudança tão urgente e necessária? Que tal começar dentro da gente hem? Que tal começar parando de fazer as barbaridades que fazemos no nosso dia-a-dia com nossas crianças (que, pasmem) ainda apanham muito? Que tal tratarmos nossas crianças com respeito e amor, mostrando-lhes o valor da amizade e da solidariedade, ensinando-lhes que a vida vale mais do que o dinheiro e que a felicidade reside em amarmos e sermos amados e não em ter coisas e mais coisas, status e poder? Que tal ensinarmo-lhes a cooperação e vivermos em coerência com o que queremos lhes ensinar? Se ensinamos nossos filhos a serem competitivos, a acreditarem que uns valem mais que outros, que elas devem vencer em detrimento do fracasso dos outros, que suas necessidades são mais legítimas do que as dos outros, que mundo se espera que construam?
Não interessa qual regime político vivemos, qual o partido (ou não partido) que está no poder, que estruturas inventamos para organizar a sociedade. Todos fracassarão enquanto o ser humano viver na perspectiva da fragmentação do Ser que se apoderou de nós desde que nos desconectamos dos ciclos da vida.
Somente depois de catarmos nossos caquinhos, juntarmos nossos fragmentos, reconectarmo os batimentos do nosso coração com os batimentos do coração da Mãe Terra, nossa casa, nosso lar, nossa fonte de vida, é que conseguiremos sair pelas ruas numa grande marcha pacífica, unindo nossos corações em comunhão de interesses.
Enquanto isso... temo (com o coração apertado) que teremos algumas baixas...
Vamos acelerar o processo então e fazer nossa lição de casa?
Ainda não consegui elaborar muito bem o que penso e sinto diante disso tudo que está acontecendo. Alguns dizem que vivemos um momento histórico. Outros estão começando a ficar apavorados com a ideia da volta violenta da direita.
Sim... queremos mudança. Vivemos tempos de intolerância, dor e injustiça que estão chegando a limites insuportáveis. Está claro que o caminho que tomamos está errado e que algo deve ser feito.
De um lado, desejo firmemente a paz e a não violência. Acredito no caminho do diálogo e da compreensão mútua. Acredito no caminho do acolhimento e do amor incondicional.
De outro lado fico pensando... será que alguém acredita que uma mudança pela via política pode acontecer sem perda nenhuma? Pensar em uma revolução sem uma gota de sangue, sem nenhum vidro quebrado é algo realista? Alguém realmente acredita que os que se beneficiam da realidade que vivemos abrirão mão gentil e pacificamente de suas regalias? Alguém realmente acredita que os viciados em dinheiro e poder vão largar o osso sem reação? Alguém realmente acredita que, do jeito que a humanidade anda doente, não haverá loucos no meio da multidão?
Acho muito curiosas a indignação com o vandalismo e a perplexidade diante das contradições. Não defendo a violência, muito menos o vandalismo. Jamais. Mas também não acho que podemos ser ingênuos a ponto de achar que sairemos sem nenhum arranhão desse embate com os dententores do poder.
Como fazer, então, a mudança tão urgente e necessária? Que tal começar dentro da gente hem? Que tal começar parando de fazer as barbaridades que fazemos no nosso dia-a-dia com nossas crianças (que, pasmem) ainda apanham muito? Que tal tratarmos nossas crianças com respeito e amor, mostrando-lhes o valor da amizade e da solidariedade, ensinando-lhes que a vida vale mais do que o dinheiro e que a felicidade reside em amarmos e sermos amados e não em ter coisas e mais coisas, status e poder? Que tal ensinarmo-lhes a cooperação e vivermos em coerência com o que queremos lhes ensinar? Se ensinamos nossos filhos a serem competitivos, a acreditarem que uns valem mais que outros, que elas devem vencer em detrimento do fracasso dos outros, que suas necessidades são mais legítimas do que as dos outros, que mundo se espera que construam?
Não interessa qual regime político vivemos, qual o partido (ou não partido) que está no poder, que estruturas inventamos para organizar a sociedade. Todos fracassarão enquanto o ser humano viver na perspectiva da fragmentação do Ser que se apoderou de nós desde que nos desconectamos dos ciclos da vida.
Somente depois de catarmos nossos caquinhos, juntarmos nossos fragmentos, reconectarmo os batimentos do nosso coração com os batimentos do coração da Mãe Terra, nossa casa, nosso lar, nossa fonte de vida, é que conseguiremos sair pelas ruas numa grande marcha pacífica, unindo nossos corações em comunhão de interesses.
Enquanto isso... temo (com o coração apertado) que teremos algumas baixas...
Vamos acelerar o processo então e fazer nossa lição de casa?
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Oficina "Ervas do Feminino"
As Ervas mágicas, medicinais e sagradas nos acompanham há milênios. Todos temos ancestrais que sabiam usá-las a favor do nosso bem estar e saúde. Há pouquíssimo tempo dependemos de remédios sintetizados para isso. Aliás, boa parte dos remédios que encontramos nas farmácias são feitos com princípios ativos que evoluíram na relação entre as plantas e animais.
No dia 30 de junho, eu e Andréa Boni, minha amiga, mestre e irmã, realizaremos uma oficina cujo objetivo será o de nos conectarmos cada vez mais e profundamente com a sabedoria e o poder das plantas. Entraremos nesse mundo mágico que pode nos contar tantas histórias, que pode nos acalmar, perfumar, curar e trazer beleza às nossas vidas. Visitaremos nossa ancestralidade em busca do conhecimento sagrado e antigo que ainda pulsa em nosso DNA.
Faça sua inscrição e venha passar um dia inesquecível conosco!
Assinar:
Postagens (Atom)
















