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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Balanço Energético na Agricultura, o que é Isso?

É claro que depois daquela entrevista ao Clarín me lembrei de mil outras coisas que eu também gostaria de ter falado sobre a viabilidade econômica da Agrofloresta.


Uma delas é a questão do balanço energético dos sistemas de produção. Os sistemas de produção agrícola que chamo de industriais (por exemplo soja e milho no modelo do agronegócio) normalmente apresentam balanço energético negativo. Isso significa que a quantidade de energia dispendida no processo de produção é maior do que aquela obtida no produto colhido. Essa energia toda é gasta na fabricação e transporte (às vezes intercontinental) de:


- adubos sintéticos (exemplo: mais de 90% do potássio consumido na agricultura brasileira vem de além mar - http://www.cetem.gov.br/agrominerais/livros/producaopotassio.pdf)
- sementes (nesses sistemas as próprias sementes não podem ser usadas havendo necessidade de serem compradas), 
- tratores, máquinas e implementos, 
- diesel para funcionamento de tudo isso, 
- implementos e sistemas de irrigação, 
- biocidas: inseticidas, fungicidas, herbicidas. 


Uma quantidade imensa de energia é consumida desde o local de extração de cada um dos ingredientes, transporte até a fabrica, fabricação, transporte novamente... quantidade essa jamais reposta pela quantidade de energia contida no produto colhido. Isso é balanço energético negativo. 


Se o que se deseja é realmente trabalhar no sentido de diminuir a quantidade de gases do efeito estufa que emitimos e deter o processo das mudanças do clima, me parece óbvio que não podemos trabalhar com sistemas que tenham balanço energético negativo. 


E a Agrofloresta? Só chamo de Agrofloresta aquela cujo produto contém mais energia do que a energia dispendida em seu processo de produção. E também que deixa um saldo positivo de vida no lugar, ou seja, a quantidade de espécies e biomassa é maior (ou, na pior das hipóteses, igual) depois da colheita do que na hora do plantio! Incrível, mas é assim que os sistemas realmente sustentáveis têm que funcionar, senão, definitivamente, não são sustentáveis. 


Pois é, além do balanço energético negativo, os sistemas de produção industriais deixam para trás, após a colheita, um lastro de destruição e contaminação irreversíveis no curto e às vezes, no médio prazos. Do ponto de vista social e cultural, nem se fale a tristeza que tem sido a imensa perda de diversidade cultural, de saberes, de visões de mundo e formas de relacionamento com a natureza promovida pela expansão dos sistemas de produção industriais. 


E para "encumpridar" um pouco essa prosa sobre viabilidade econômica, gostaria de saber como é que se calcula o conforto de trabalhar na sombra, a alegria da autonomia e independência, a segurança proporcionada pela diversidade de produtos, a segurança e autonomia alimentares, a saúde, o prazer de uma alimentação diversificada, o prazer de trabalhar em contato com a natureza, a beleza dos pássaros, das borboletas, dos lagartos... de todos os seres que vivem conosco na agrofloresta? Como medir isso tudo em valores monetários? 


Muito pano para manga...

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