Encontro no meio do artigo de Lúcia Nagib sobre arqueologia na América Latina datado de outubro de 2000 publicado no caderno Mais! da Folha de São Paulo: "(...) como as do darwinismo social, que propunha que as sociedades complexas seriam superiores às simples." (...).
Independentemente do contexto em que se encontrava a frase, reencontrá-la me impactou:
O que significa essa concepção?
O que é uma sociedade complexa?
Quais os indicadores de complexidade?
O que é complexidade?
O que é mais complexo? Que todos os produtos fabricados com milho encontrados em todas as prateleiras de todos os supermercados utilizem menos de uma dezena de genótipos exatamente iguais da uma dezena (um chute) de variedades transgênicas existentes no mercado hoje? Ou será que é mais complexo o cultivo familiar de milhares de diferentes genótipos refletidos nas centenas de variedades crioulas selecionadas por gerações e gerações de agricultores e agricultoras, cada um desses genótipos adaptados a um microambiente específico, a ser plantado em uma determinada época e que será utilizado para centenas de diferentes finalidades e receitas?
Qual desses dois cenários contém conhecimento mais complexo?
Qual deles necessita de relações interpessoais mais complexas?
Qual deles trabalha em um ambiente natural mais complexo?
Que sociedade, então, segundo o darwinismo social, estaria mais próxima de ser superior?
Mas a ideia de "sociedade superior" também me apavora.
Haveria possibilidade de convivência? Como seria isso?
Ting é o hexagrama 50 do I Ching. O Caldeirão. Acima: LI, O ADERIR, FOGO. Abaixo: SUN, A SUAVIDADE, VENTO. Minha própria tradução. Um caldeirão borbulhando de idéias, sonhos e movimento. Que dele transborde alimento para a alma. Para a minha e para a de todos os que por aqui passarem. Buniting, para carregar no nome buniteza.
Todo o conteúdo deste Blog é de minha autoria (fotos, textos, filmes), salvo menção expressa. A reprodução é permitida, desde que: a) não haja edição; b) sejam dados os devidos créditos e citada a fonte; e c) não seja feito uso comercial. Agradeço se me informarem.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Seca em Dezembro?*
Estamos em Dezembro. Não chove há quase uma semana! No
quintal, as plantas secam.
Penso logo nos agricultores que plantaram somente há duas
semanas. Penso nas sementes recém germinadas, nas pequenas plantinhas surgindo.
As raízes ainda pequeninas não estão prontas para buscar a água do fundo da
terra. O seu corpinho ainda não acumulou água suficiente para agüentar mais que
três ou quatro dias sem chuva. Uma semana sem chover pode ser fatal. Se isso
acontecer, todo o esforço e as sementes serão perdidos. E se só havia aquelas
sementes? E se não houver mais sementes guardadas para plantar? E se aquela
variedade adaptada àquele lugar vem sendo plantada incansavelmente ano após ano
há muitas gerações? De repente, uma semana sem chuva faz desaparecer para
sempre aquela combinação de genes selecionados durante tantas gerações de
plantios e colheitas...
As chuvas começaram tarde esse ano. Um mês mais tarde do que
no ano passado. Mas quem plantou, disciplinadamente, na primeira semana de
chuvas, no meio de novembro, provavelmente não perderá sua colheita. As plantas
talvez sofram um pouco com esse veranico fora de hora, mas com quase um mês e
meio crescendo no solo, estarão grandes o suficiente para terem acumulado a
água que as manterá vivas durante alguns dias de inesperada seca. As raízes já
afundaram no solo e conseguem acessar a água que se acumulou sob a superfície
com as primeiras chuvas intensas. Se o solo estiver coberto com matéria
orgânica, melhor ainda e maiores as chances de sobrevivência. É nessa hora que
um solo coberto faz toda a diferença!
É claro que aqueles que podem ter um sistema de irrigação
nada sofrem, mesmo que tenham plantado um pouco mais tarde. Mas quem pode? A
agricultura familiar que cuida das variedades adaptadas localmente ou as
empresas rurais que plantam sementes hibridas e transgênicas? Está claro quem
mais sofre com as consequências das mudanças do clima? E qual o custo ambiental
dos sistemas de irrigação? Quando sabemos que 70% da água potável vêm sendo
utilizados para a irrigação dos cultivos e que, aos poucos, os aqüíferos
superficiais e de sub-superfície vêm sendo aceleradamente esgotados e poluídos,
podemos concluir que quem pagará esse custo não é quem irriga hoje, mas sim
nossos filhos e netos que não terão água para beber se continuarmos explorando
os recursos hídricos da forma como estamos fazendo atualmente.
Conhecer os ciclos da natureza é, há milênios, mais do que necessário.
É uma questão de sobrevivência. Quem foi disciplinado e conhece os ciclos da
natureza, plantou no meio do mês de novembro. E não plantou todas as sementes
que tinha. Quem se atrasou, por um motivo ou por outro, e não dispõe de um
sistema de irrigação, está a ver suas plantas morrerem com esse veranico fora
de hora.
Há o momento certo de plantar para que a colheita seja
abundante. O momento de plantar – literalmente – as roças que nos alimentarão
em 2013 coincide, no nosso calendário romano, com o final de um ciclo solar,
momento de parada para as festas de fim de ano e, para muitos, momento de tirar
férias e descansar. Momento também de plantar nossos sonhos e, mais do que
isso, colocar a semente de fato na terra, no momento certo, disciplinadamente,
sem adiarmos nenhuma semana. Assim, nenhuma seca inesperada nos pegará de
surpresa. Nossas plantinhas já estarão em franco crescimento, forte e
resistentes e aguentarão alguns dias de veranico.
* Originalmente publicado na edição de dezembro do Jornal "Deusa Viva", da Teia de Thea (www.teiadethea.orgwww)
* Originalmente publicado na edição de dezembro do Jornal "Deusa Viva", da Teia de Thea (www.teiadethea.orgwww)
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Plantas e Humanos em Coevolução
Em
genética de populações, coevolução é o fenômeno pelo qual
diferentes espécies se modificam ao longo das gerações como resultado da
interação que acontece entre elas.
Um
exemplo clássico é a evolução de muitas das substâncias de defesa produzidas
pelas plantas. As plantas que consideramos venenosas são plantas que produzem
substâncias tóxicas que as protegem do ataque dos herbívoros. Vejam o caso da comigo-ninguém-pode, que é uma planta ornamental muito linda que produz um
látex urticante e venenoso. A sua toxicidade é devida à produção de cristais de oxalato de
cálcio em forma de agulhas, as ráfides. Pode ser que
sua ancestral não tivesse ráfides. Nesse caso, era provável que, frequentemente, as plantas fossem devoradas por diversos herbívoros. De repente, uma mutação fez com que uma
planta passasse a produzir uma substância muito tóxica para esses herbívoros. Essa planta, não tendo sido devorada pelos herbívoros, por hipótese, uma lagarta, produziu muito mais sementes que as que não produziam a tal substância tóxica. Conseguindo viver mais tempo, deixava muito mais descendentes. Suas sementes se
espalharam de tal forma que a proporção de plantas que produziam a tal substância tóxica foi
aumentando cada vez mais ao longo das gerações, até que sobrassem somente plantas produtoras da substância tóxica. Enquanto isso, aconteceu um outro fenômeno: uma mutação surgiu em um dos indivíduos da lagarta. Essa mutação permitia à lagarta que seu sistema digestivo decompusesse a tal substância. A lagarta conseguia se alimentar da comigo-ninguém-pode, mesmo que ela possuísse a substância tóxica. Somente as lagartas que tinham essa mutação conseguiam se alimentar adequadamente. Essas, a cada geração, deixavam muito mais descendentes do que aquelas que não sofriam com o efeito da substância tóxica. Resultado? Após algumas gerações, todas as lagartas existentes eram capazes de digerir a substância tóxica, mesmo que todas as plantas a produzissem. Ou seja, a tal substância não servia mais para proteger a planta da lagarta. Mas ambas haviam mudado. Isso é coevolução: as espécies se modificando ao longo das gerações em função da pressão de seleção resultante da relação com outras espécies.
Esse fenômeno pode ter acontecido muitas vezes e de diversas formas ao longo da evolução da comigo-ninguém-pode. Em uma dessas vezes, houve uma mutação que fez com que a comigo-ninguém-pode produzisse ráfides. E é assim que as plantas possuem várias substâncias, sendo que algumas servem atualmente para algo e outras, que não causam nenhum efeito deletério na planta, foram ficando... e é por isso que hoje temos tantas plantas medicinais e aromáticas.
Mas não é só para a defesa que a coevolução! Foi assim também que surgiram os cheiros e as cores espetaculares das flores que atraem insetos e pássaros que, por sua vez, possuem bicos e trombas do tamanho perfeito para chegar ao néctar. Foi assim, por meio da coevolução que se desenvolveram, por exemplo, as formas incríveis das orquídeas, parecidíssimas com os insetos que as polinizam. Quanto mais parecida com o inseto, maior a chance de polinização e maior a quantidade de descendentes. Geração após geração, a quantidade de flores mais parecidas com o polinizador era maior.
Foi por meio da coevolução que boa parte da biodiversidade existente hoje no nosso planeta surgiu.
Esse fenômeno pode ter acontecido muitas vezes e de diversas formas ao longo da evolução da comigo-ninguém-pode. Em uma dessas vezes, houve uma mutação que fez com que a comigo-ninguém-pode produzisse ráfides. E é assim que as plantas possuem várias substâncias, sendo que algumas servem atualmente para algo e outras, que não causam nenhum efeito deletério na planta, foram ficando... e é por isso que hoje temos tantas plantas medicinais e aromáticas.
![]() |
Mas não é só para a defesa que a coevolução! Foi assim também que surgiram os cheiros e as cores espetaculares das flores que atraem insetos e pássaros que, por sua vez, possuem bicos e trombas do tamanho perfeito para chegar ao néctar. Foi assim, por meio da coevolução que se desenvolveram, por exemplo, as formas incríveis das orquídeas, parecidíssimas com os insetos que as polinizam. Quanto mais parecida com o inseto, maior a chance de polinização e maior a quantidade de descendentes. Geração após geração, a quantidade de flores mais parecidas com o polinizador era maior.
Foi por meio da coevolução que boa parte da biodiversidade existente hoje no nosso planeta surgiu.
A
domesticação, por outro lado, é o processo pelo qual as plantas e os animais que nós, humanos, usamos para suprir as nossas necessidades são modificadas por nós, ao longo das gerações, conscientemente, de forma que as modificações atendam aos nossos
interesses. É assim que hoje há milhos com grãos e espigas grandes e nutritivos
bem diferentes dos grãos da planta que lhe deu origem, o teosinte. Agricultores
e agricultoras, ao longo das gerações, escolheram os grãos maiores e mais
produtivos, e o milho foi sendo transformado para atender aos nossos
interesses.
Venho
pensando sobre algumas plantas que nós, humanos, usamos há muitas gerações na
forma de chás, medicinas, magias. As plantas medicinais, aromáticas e mágicas.
Há milênios, plantas como a sálvia, o manjericão ou a mirra vêm sendo plantadas
e utilizadas pelos seres humanos. E há milênios nós as podamos e colhemos. Acho
que é por isso que muitas plantas exigem que as podemos para continuarem vivas.
O manjericão é assim. Se não for podado quando está em flor, acaba morrendo
logo depois de florescer. Se o podamos na época certa, pode continuar vivendo
por anos. É assim também com a pimenta. Ela fica muito mais saudável se estamos
sempre colhendo seus frutos. Se os deixamos secar na planta, ela acaba
definhando e morrendo. Umas espécie de dependência é criada ao longo do processo de domesticação! Vejam o que acontece com os animais domésticos. São quase que totalmente dependentes de nós. Até afetivamente, como acontece com os cães.
Na domesticação, a relação é unidirecional. Humanos selecionando e modificando animais e plantas. Na coevolução, ambas as espécies envolvidas se modificam como resultado da relação entre elas.
Assim, temos, há milhares de anos, provocado mudanças nas
plantas como resultado da seleção das sementes para plantio e como resultado do
manejo ao qual as submetemos. E nós, humanos? Essas relações que temos com as
plantas e os animais... como têm nos modificado? O que estamos dispostos a deixar plantas e bichos modificarem em nós? Ainda que mais para a poesia do que para a ciência, penso que vale
pensarmos em como nossa relação com as plantas e com os animais pode nos levar a (co)evoluirmos
para o benefício de ambos.
Revirando teoria e ciência pelo avesso, sonho com a possibilidade de que a co-evolução deixe de parecer somente uma corrida para ver quem é que vai se dar melhor mas, ao contrário, que seja o impulso que nos conduza mais rápido às mudanças necessárias para que alcancemos logo o mundo de paz e abundância que todos desejamos...
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Sustentabilidade e Sistemas Agroflorestais na Construção de Sociedades Sustentáveis - VII CBSAF
Postei no youtube o segundo episódio da série de filmes que fiz a partir de imagens gravadas durante o VII CBSAF (Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais), realizado pela Embrapa, em parceria com o Mutirão Agroflorestal, A EMATER-DF e a Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais. Foi um evento realmente incrível, tanto pela temática (o Diálogo de Saberes) quanto pelo formato. Pesquisadores, técnicos, agricultores e estudantes foram convidados a participar ativamente. Foram estimulados a compartilhar seus saberes, pensamentos e conhecimentos de uma forma como eu nunca tinha visto em nenhum evento científico. Conhecimento científico e conhecimento vivencial em pé de igualdade. Ernst Götsch, meu Mestre e amigo, respondeu, quando lhe perguntamos o que ele havia visto de novo nesse evento, que era o fato de que todos, possuindo ou não bens materiais acumulados, tiveram a mesma oportunidade de falarem e de serem ouvidos. Pois é assim que acredito na educação emancipadora e geradora de autonomia. Uma educação que não considere o aprendiz (criança, adulto ou idoso) um saco vazio a ser preenchido com um conhecimento superior. Todos temos o que dizer, todos temos experiências para compartilhar e para gerar reflexões e aprendizados. Todos temos algo a dizer sobre qualquer coisa. Quando começarmos a ouvir e considerar todos os pontos de vista, todas as experiências acumuladas por tanta diversidade de pensamentos e vivências, começaremos a avançar na construção de sociedades realmente sustentáveis. Que seja assim!
Mato Amigo*
No meio agronômico, chama-se mato tudo aquilo que você não
quer ver crescer na sua lavoura. Essas plantas indesejadas também são chamadas
de ervas daninhas, ervas más ou plantas invasoras. Imagino que devam existir
dezenas de nomes regionais para essas plantas não queridas pelas pessoas.
Na ideia antropocêntrica de se fazer agricultura, o primeiro
passo é limpar a terra. Tirar da frente tudo o que for verde ou se mexer.
Depois de limpa, planta-se nessa terra as sementes daquilo que se deseja
colher. Geralmente, só uma coisa. Chama-se a isso de monocultivo. Cultivo de
uma única espécie.
Enquanto o que desejamos colher cresce, todo o resto é
considerado mato, erva daninha ou planta invasora quando entra na nossa área.
Qualquer planta que se atrever a germinar naquele solo será arrancada, cortada
ou envenenada. Não há a menor chance de sobrevivência para qualquer outra
espécie que não seja a espécie desejada pelo ser humano que possui aquele
pedaço de chão.
Depois que a planta desejada crescer e produzir aquilo que o
homem quer, se for uma planta anual como o milho, a soja ou o feijão, morrerá e
a terra ficará limpa novamente para que o esse ciclo recomece.
As plantas daninhas são, em regra, odiadas ou às vezes, só
temidas. Há livros e livros dizendo como podemos nos livrar delas. Técnicas
diversas, listas enormes de venenos.
Antigamente, pois, eu também olhava para elas com incômodo.
Não sabia o que pensar e ficava chateada quando cresciam no meu jardim. Ai, que
trabalheira... preciso arrancar tudo aquilo... quanto tempo vai me tomar...
Hoje, tudo se transformou. Sou grata a cada uma delas
individualmente e a todas coletivamente. Elas dão colorido ao meu quintal e
estão sempre dispostas a me ajudar a cobrir o solo quando faço o manejo. Sinto
sua falta quando preciso de matéria orgânica e não há nada disponível e tenho
que trazer de fora. Sinto que há algo errado. De vez em quando, aparece uma
visita casual que me conta que o chá daquela é bom para o estômago e que a flor
daquela outra é comestível. Vou descobrindo pouco a pouco que todas elas tem
uma função, um dom, uma habilidade, uma forma de contribuir para que meu
quintal seja mais bonito e produtivo.
Percebi também que gostam de ser manejadas. Algumas crescem
rápido depois de podadas, fornecendo rotineiramente a matéria orgânica que
preciso para o dia-a-dia. Outras dão florezinhas lindas e delicadas e morrem.
Se cortamo-nas logo depois de florescerem, curtimos as flores e ainda
aproveitamos o restinho de massa para cobrir o solo. Coloco algumas das mais
temidas em vasos e jardineiras onde, reinando, enfeitam e embelezam minha casa.
Descubro novas formas de usá-las ao observar como se comportam, como crescem,
como reagem à poda.
Hoje, quando manejo o quintal, sinto imensa gratidão por
existirem. Convido-as a virem, a se apresentarem, a me revelarem seus segredos.
Nenhuma é indesejada. Como jardineira, agradeço sua existência e utilizo-as.
As plantas que dão a maior parte do alimento hoje (trigo,
milho, arroz, por exemplo), foram um dia plantas daninhas. A cevada era mato no
meio do trigo. Tomou conta e para fazer uma limonada, os agricultores começaram
a domesticá-la. Foi graças a milhares de gerações de agricultores e
agricultoras que trigo, milho e arroz chegaram até nós. Foi com seu incansável
trabalho de plantar, cuidar, colher, selecionar, plantar de novo, todos os
anos, ano após ano, armazenando, trocando, distribuindo... que criaram centenas
de variedades locais adaptadas a cada uma das específicas necessidades. De
todas as cores, de todos os formatos e composições, o milho e o feijão são
exemplos escandalosos. Ambos são latinoamericanos e foram domesticados,
selecionados e adaptados por nossos ancestrais que viveram nessa terra antes de
nós e aos quais devemos boa parte do nosso alimento. Além deles, a abóbora, o
inhame, o cará, a mandioca. A pimenta e o amendoim.
E por onde anda toda essa diversidade? Desaparecendo sob o
mesmo massacre que extermina ainda hoje nossos irmãos indígenas. Sob o massacre
da uniformidade e do controle. Sob o massacre do lucro e da ganância. Sob o
massacre que é para as culturas todas o controle privado da semente, que é a
única possibilidade de futuro.
E nós? Que sementes vamos deixar para as próximas gerações?
*texto originalmente publicado no Jornal "Deusa Viva", da Teia de Thea, em sua edição de outubro.
*texto originalmente publicado no Jornal "Deusa Viva", da Teia de Thea, em sua edição de outubro.
Oficina de Manejo com o Ateliê Angico
O Mutirão Agroflorestal se fortalece quando nos juntamos para plantar, manejar, cuidar das plantas e do lugar onde vivemos. Oficinas e mutirões são momentos e espaços de muito aprendizado e troca. São oportunidades de crescermos como seres humanos comprometidos com a mudança que queremos ver no mundo.
Foi assim que aconteceu na Chácara Murici, durante a oficina "Quintal Agroflorestal: Manejo na Seca" no dia 16 de setembro. Logo em seguida, Mangala, nossa anfitriã, nos regalou com uma linda postagem no blog do Ateliê Angico. Registro aqui para rever, relembrar e, novamente, me alimentar do sentimento de pertencimento que a oficina provocou em mim. O sentimento de estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas, fazendo a coisa certa. Ai... que bom!!!
O link para a postagem da Mangala e as fotos que registraram aquele dia tão especial:
http://www.atelieanjico.blogspot.com.br/2012/09/quintal-agroflorestal.html
PS. A oficina só foi possível de ser realizada graças ao apoio do Ministério da Cultura via Prêmio Tuxaua. Deixo aqui os meus agradecimentos!
Foi assim que aconteceu na Chácara Murici, durante a oficina "Quintal Agroflorestal: Manejo na Seca" no dia 16 de setembro. Logo em seguida, Mangala, nossa anfitriã, nos regalou com uma linda postagem no blog do Ateliê Angico. Registro aqui para rever, relembrar e, novamente, me alimentar do sentimento de pertencimento que a oficina provocou em mim. O sentimento de estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas, fazendo a coisa certa. Ai... que bom!!!
O link para a postagem da Mangala e as fotos que registraram aquele dia tão especial:
http://www.atelieanjico.blogspot.com.br/2012/09/quintal-agroflorestal.html
PS. A oficina só foi possível de ser realizada graças ao apoio do Ministério da Cultura via Prêmio Tuxaua. Deixo aqui os meus agradecimentos!
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Chegou Novamente a Primavera!
O quintal está em festa. Chuva de verão no Equinócio de
Primavera. Chuva de verdade, de gota grande que molha o chão e que lava as
folhas revelando no dia seguinte o verde brilhante que estava escondido sob a
poeira da seca.
O dia seguinte: Passarinhos diversos e muitos gritam,
cantam, berram e chamam sem descanso por seu par. Também chamam a mim e vou lá
ver o que acontece... Logo cedo, descobertas incríveis! As helicônias insinuam
suas flores vermelhas bebida de beija-flores. O ingá insinua seus frutos. Cores
por todos os lados. Flores e plantas crescem a olhos vistos. Levo um susto. A
pitangueira ficou mocinha! Pela primeira vez, mostra suas pequenas e delicadas
flores brancas. Quem sabe ela percebeu que sua mãe morreu e resolveu assumir a
produção de pitangas deste ano! De tarde, mais uma surpresa: as helicônias
exibem suas inflorescências vermelhas matinalmente só insinuadas.
Janaína pergunta: “você gosta mais do inverno ou do verão?”.
Minha amiga, com quem conversamos, responde: “aqui em Brasília, prefiro o
inverno”. Não me lembro como a conversa continuou, mas de repente ouvi Janaína
dizendo: “... no verão faz frio e no inverno faz calor”. Alto lá! Que susto.
Minha filha de nove anos não saber ainda o que é inverno e o que é verão. “não
filha... é ao contrário!”. “Mas mãe, é inverno e está muito calor!”
Pois é, apesar de tudo estar muito bagunçado e no inverno
fazer tanto calor, me sinto invadida por confiança e fé com o início dessa
Primavera com cara de Primavera, com sintomas de Primavera, com indicadores de
Primavera. Quem sabe um novo tempo já anunciado começa a acontecer ao mesmo
tempo em que o caos parece se instalar! Torço para que sigamos assim,
reconhecendo as estações do ano, das quais toda a natureza é dependente. Dois
graus de diferença nas máximas e mínimas podem representar o fim de uma espécie
em algum lugar. Muitas plantas necessitam de temperaturas que atingem um mínimo
nas noites de inverno para florescerem, outras precisam da combinação entre uma
determinada temperatura e um determinado comprimento de dia. A natureza é de
uma enorme complexidade delicada, intrincada, de precisão milimétrica que se
construiu ao longo de milhões e milhões de anos a partir da relação entre os
seres e desses com os ritmos da terra e do céu. Em co-evolução, espécies de
plantas, bichos e microorganismos foram, ao longo do tempo, construindo
sistemas, mecanismos e estratégias que permitiram com que se estabelecessem, se
multiplicassem e deixassem descendentes em um processo que envolveu e envolve
milhares de variáveis dificilmente compreendidas por nossos sistemas
científicos baseados na fragmentação do conhecimento.
Não sendo possível tudo compreender, resta-nos aceitar e
respeitar a inteligência da natureza, seguir seus fluxos, utilizar de todos os
nossos sentidos para agirmos no sentido de ajudar, proteger, perpetuar... ter
sempre em mente fazer parte desse sistema vivo complexo e vibrante ao invés de
querer controlá-lo.
Quem sabe assim nossos netos e bisnetos não se confundam mais
sobre se faz calor no inverno ou no verão.
Assinar:
Postagens (Atom)


