Parece que tempo de seca é somente tempo de esperar pelas chuvas e combater o fogo. Que nada! Descobri com o meu quintal que quando investimos em um manejo caprichado na seca, as águas da chuva são muito melhor aproveitadas por todo o sistema. Quando começa a chover, a diferença na exuberância de um quintal bem manejado durante a seca daquele que não foi manejado é gritante. Nessa oficina, discutiremos os aspectos que devem ser observados no manejo e praticaremos juntos. Sejam bem vindos a esse dia que será, sem dúvida, cheio de inspiração e muito aprendizado.
Ting é o hexagrama 50 do I Ching. O Caldeirão. Acima: LI, O ADERIR, FOGO. Abaixo: SUN, A SUAVIDADE, VENTO. Minha própria tradução. Um caldeirão borbulhando de idéias, sonhos e movimento. Que dele transborde alimento para a alma. Para a minha e para a de todos os que por aqui passarem. Buniting, para carregar no nome buniteza.
Todo o conteúdo deste Blog é de minha autoria (fotos, textos, filmes), salvo menção expressa. A reprodução é permitida, desde que: a) não haja edição; b) sejam dados os devidos créditos e citada a fonte; e c) não seja feito uso comercial. Agradeço se me informarem.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Vida Morte Vida, e o Mundo Gira*
Depois de alguns dias fora de casa, fui regar o jardim.
Saudades imensas de todos que lá vivem, plantas, bichos, seres visíveis e
invisíveis. E como acontece quando encontramos amigos de quem sentimos
saudades, eu estava louca para saber das novidades.
O ingá de metro que plantei na frente da janela do meu quarto todo em flor! A primeira florada. Flores esvoaçantes de pistilos brancos exibicionistas. Estrelas brancas dançando com o vento. Pompons de natal cor de neve em pleno inverno tropical. Amo ingá de metro. Havia um deles no quintal da minha infância. Lá no fundo do quintal, que para mim era imenso, sem fim. Eu subia nele para colher aquelas vagens compridas e gordas, já em ponto de explodir para fora o algodão branco do seu interior. Ao abrir as vagens, aquele aroma adocicado da minha infância subia e penetrava meus sentidos. Pura delícia de fruta selvagem, não domesticada, nem melhorada, nem piorada pelos dedos dos homens tecnificados. Apenas pelos dedos daqueles que a amam comer e foram espalhando as sementes das frutas mais gostosas e carnudas por aí. Sementes pretas escorregadias que pedem para ir ao solo imediatamente. Recalcitrantes, não resistem muito tempo e perecem logo depois que sua polpa branca e cheirosa é comida. Prova de que é árvore da mata de galeria, da mata ciliar, da mata que fica na beira dos rios, mata sempre molhada que não se importa se lá fora é tempo de seca ou de água.
Segunda novidade: a pitangueira morreu. Aquela cujo fruto aparece no final do filme que fiz para o TEDx Buenos Aires e no qual mostro meu quintal agroflorestal. A mãe daquele fruto que aparece imenso sobre a mão de Janaína, minha filha caçula. Aquele fruto foi um dos últimos, imenso e produzido fora de época só para enfeitar o filme, junto com outros 3. E a pitangueira morreu. Parte das folhas secaram ainda presas à árvore. Fiquei muito tempo observando e tentando compreender o que havia acontecido. Até que, de repente, me dei conta de que não se tratava de compreender, mas simplesmente de aceitar. E também agradecer pelas tantas colheitas maravilhosas que forraram o chão ao seu redor e nossos pratos de vermelho. Pensei no ho'oponopono: sinto muito, me perdoe, tem amo e sou grata. Tenho feito essa oração acrescentando antes dessas afirmações: eu aceito.
Ali, de pé, aceitando a morte da pitangueira, olho para baixo e o que vejo? Muitos e muitos filhotes da pitangueira. De vários tamanhos. Logo crescerão e produzirão deliciosos frutos também. E o ciclo recomeça, cada vez mais abundante, em novo patamar de aceitação, perdão, gratidão e amor.
O ingá de metro que plantei na frente da janela do meu quarto todo em flor! A primeira florada. Flores esvoaçantes de pistilos brancos exibicionistas. Estrelas brancas dançando com o vento. Pompons de natal cor de neve em pleno inverno tropical. Amo ingá de metro. Havia um deles no quintal da minha infância. Lá no fundo do quintal, que para mim era imenso, sem fim. Eu subia nele para colher aquelas vagens compridas e gordas, já em ponto de explodir para fora o algodão branco do seu interior. Ao abrir as vagens, aquele aroma adocicado da minha infância subia e penetrava meus sentidos. Pura delícia de fruta selvagem, não domesticada, nem melhorada, nem piorada pelos dedos dos homens tecnificados. Apenas pelos dedos daqueles que a amam comer e foram espalhando as sementes das frutas mais gostosas e carnudas por aí. Sementes pretas escorregadias que pedem para ir ao solo imediatamente. Recalcitrantes, não resistem muito tempo e perecem logo depois que sua polpa branca e cheirosa é comida. Prova de que é árvore da mata de galeria, da mata ciliar, da mata que fica na beira dos rios, mata sempre molhada que não se importa se lá fora é tempo de seca ou de água.
Segunda novidade: a pitangueira morreu. Aquela cujo fruto aparece no final do filme que fiz para o TEDx Buenos Aires e no qual mostro meu quintal agroflorestal. A mãe daquele fruto que aparece imenso sobre a mão de Janaína, minha filha caçula. Aquele fruto foi um dos últimos, imenso e produzido fora de época só para enfeitar o filme, junto com outros 3. E a pitangueira morreu. Parte das folhas secaram ainda presas à árvore. Fiquei muito tempo observando e tentando compreender o que havia acontecido. Até que, de repente, me dei conta de que não se tratava de compreender, mas simplesmente de aceitar. E também agradecer pelas tantas colheitas maravilhosas que forraram o chão ao seu redor e nossos pratos de vermelho. Pensei no ho'oponopono: sinto muito, me perdoe, tem amo e sou grata. Tenho feito essa oração acrescentando antes dessas afirmações: eu aceito.
Ali, de pé, aceitando a morte da pitangueira, olho para baixo e o que vejo? Muitos e muitos filhotes da pitangueira. De vários tamanhos. Logo crescerão e produzirão deliciosos frutos também. E o ciclo recomeça, cada vez mais abundante, em novo patamar de aceitação, perdão, gratidão e amor.
* Texto publicado originalmente na edição de 31 de agosto de 2012 do Jornal "Deusa Viva", da Teia de Thea (www.teiadethea.org).
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Manejo Agroflorestal do Quintal: um mutirão agroflorestal inesquecível
Aconteceu no domingo, dia 19 de agosto de 2012. Um domingo perfeito com pessoas lindas e incríveis. Mas... vamos às fotos:
Os meninos chegaram cedo... loucos para podar tudo, cheios de energia e alegria. Iago, Demétrio, Lucas e Tarcísio. Nessa foto, acho que Tarcísio e Iago nem sabiam que estavam sendo fotografados. Os sorrisos são de verdade! Pedi que escolhessem onde queriam manejar. Escolheram esse lugar, embaixo do abacateiro, forrado de helicônias velhas. Pronto. Começou a cortação geral... Importante: picar bem e deixar tudo arrumadinho, encostadinho no chão, bem espalhado, cobrindo bem o solo. Nesses tempos de seca, o negócio é deixar a terra protegida. E, também, prestar bem atenção para não cortar nem pisar nos bebês de árvores espalhados pelo quintal.
Olha aí o Lucas e o Tarcísio trampando firme. Bonito de ver!
Esse foi o grupo da manhã. Nesse momento, no meio do dia, alguns já tinham que ir. Outros chegariam em breve. Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Tarcísio (moço sorridente e silencioso), Armin (que deu um trampo incrível!), Lucas (moço sensível), Loise e Leo (visitantes de primeira viagem, adorei terem vindo; grata pela sacola de sementes... que presentaço!), Lena, Araci (cujas palavras me emocionaram muito logo na roda de abertura), Iago (o tarzan do dia), Mônica, Demétrio (o ajudante de tarzan), Helena (eu) e Aline (amiga querida cada dia mais linda). Inclusive, a Aline e o Guilherme foram os responsáveis, junto do a Lena, pelo almoço espetacular que deu o tom de saciedade e abundância à oficina. Gratidão eterna. Aqui nessa foto de baixo, a Aline e o Guilherme abrem castanhas para o delicioso molho pesto que prepararão para nós em seguida.
Enquanto isso, Isabela, a filha do casal, livre, leve e solta, explora as possibilidades de brincadeira no quintal. Inspiração para a oficina das Crianças!
Aha!
Onde está Wally? Digo, onde está Demétrio???
Tarzãs do dia!!!
Adivinhem a altura em que se encontra o rapaz abaixo...
Adivinhem a altura em que se encontra o rapaz abaixo...
Pois é.
E eu, tocando sininho loucamente, anunciando o almoço... achei que comida podia ser algo atraente para moços jovens e cheios de energia, mas que fome o quê? Quem é que tira o moço la de cima? Parece a Patrícia que, quando subiu, não descia nunca mais de tão bom que é ficar lá em cima.
É isso!
É isso!
Arvorismo de quintal, nova modalidade de esporte: esporte agroflorestal!
Ufa... todo mundo desceu, e vamos almoçar! Dá para perceber a felicidade no ar?
E o povo foi chegando, durante e depois do almoço: Sérgio, Fabi, Cláudia, Daniella, Laís e Daniel, Marcelo. Aliás esses últimos dois estão aí nessa foto de baixo, picando e arrumando sobre o solo a enorme quantidade de massa que veio para o chão com a poda do abacateiro. Alimento para os bichinhos fungos. Que proliferem, tornando cada vez mais vivo o solo desse lugar!
Aqui, Lena, depois de nos ter alimentado com seu banquete feito de amor, coloca a mão na massa também na organização do material podado. Na foto ao lado, escondida no meio das folhas está a Fabiana, mostrando ao Tarcísio como se maneja um bananal.
Agora, Iago trabalha no chão, em segurança, para minha alegria! Cortar e organizar assim o material no chão faz a gente se sentir parte. Uma coisa tão simples e tão profunda. O tipo de coisa que só a poesia pode, talvez, ser capaz de descrever. Algo que não se aprende em livros nem em filmes.
Algo que só a vivência pode nos fazer sentir. Só viver torna possível existir.
sábado, 4 de agosto de 2012
Se o que Desejamos e a Vida, por que Criamos Desertos?*
Vou lhes contar três histórias. Descubram o que elas têm em comum.
A primeira aconteceu em uma escola de ensino fundamental em uma pequena cidade do norte de Minas. Fiquei muito intrigada pois, apesar do espaço disponível, não havia árvores. O ambiente era árido e poeirento e as crianças não tinham outra alternativa a não ser brincar sob o sol escaldante. Perguntei. Uma professora me contou que, pouco tempo atrás, haviam sido plantadas algumas árvores. Entretanto, durante as férias escolares, todas as elas haviam sido cortadas por medo de que, quando estivessem grandes, as crianças subissem, caíssem e se machucassem!
A segunda história acontece todos os dias em todos os lugares onde quer que haja araucárias. Vários agricultores em Minas e no Paraná me contaram ser muito comum que qualquer araucária que se atreva a nascer por aquelas bandas seja imediatamente arrancada. Afinal, a araucária é protegida por lei. Seu corte é proibido. Então para evitar verem suas áreas serem “infestadas” por araucárias que não poderão cortar quando crescerem, arrancam-nas ainda bebês. Aliás, isso é muito comum com toda a Mata Atlântica, ecossistema também protegido por lei. Os agricultores, no temor de “perderem” áreas agrícolas para a floresta, não deixam a regeneração florestal acontecer.
A terceira história aconteceu no meu quintal. Adoro árvores. E o guapuruvu é uma de minhas prediletas. Acho-o lindo, elegante e muito ornamental. Eu sonhava em ter um no meu quintal. Para isso, vivia semeando-o em vários cantinhos até que um dia, finalmente, uma das sementes germinou e se estabeleceu. Apresentei a arvoretinha em crescimento a um visitante. No que ouvi: “mas você não tem medo de que ele caia sobre a sua casa?”. Achei incrível a pergunta. Como eu poderia me sentir ameaçada por aquela arvoretinha da minha altura? Até representar alguma ameaça, aquele guapuruvu enfeitará meu quintal por uns 8 ou 10 anos! Sua presença deixará o solo úmido e o lugar cheio de vida. Quando eu me sentir ameaçada, eu corto. Terei um monte de matéria orgânica para alimentar meu solo e certamente outro guapuruvu crescendo para substituí-lo em belezura pois não parei de plantá-los.
Percebem? Destruímos sistematicamente a vida antes mesmo que ela represente uma ameaça real. Criamos desertos por medo do suposto mal que a vida, nessas histórias representadas pelas árvores, poderá talvez nos causar em um futuro distante. Estamos dispostos a pagar o preço da escravidão consumista, mas não estamos dispostos a lidar os pequenos supostos “incômodos” que a diversidade de espécies essencial à manutenção da vida no planeta nos causam. Nos irritamos com cocôs de passarinho, com folhas do chão, com galhos ou frutas que caem. Mas não nos preocupamos com a perspectiva do aquecimento global, da desertificação ou simplesmente da solidão biológica criada pelo ambiente de aço, vidro e concreto das grandes cidades.
Creio ainda que esse seja um padrão muito comum em várias dimensões da nossa vida, seja ele afetivo ou da expressão dos nossos dons no mundo. Matamos nossas mudinhas antes mesmo de saber se darão bons frutos e boa sombra. Evitamos a vida para não sofrermos um sofrimento que nem sabemos se acontecerá... E se acontecer? Quem teve uma infância de subir em árvores sabe que o eventual (e menor quanto maior a prática) risco de um braço quebrado vale a pena. Ou não?
* texto originalmente publicado na edição de julho do Jornal mensal "Deusa Viva", da Teia de Thea (www.teiadethea.org)
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Domingo no Jardim: Uma Oficina de Jardinagem Agroflorestal para Crianças e Adultos
Uma oficina sob demanda!
Alguns me disseram que queriam muito vir às minhas oficinas mas não tinham com quem deixar suas crianças. Outros perguntaram se eu tinha oficina para suas crianças. Janaína apresenta o quintal para sua prima e me encanto!
Pronto, já tem data. E é no dia 2 de setembro!
Divulgue, compartilhe, convide...
Série "Meu Ambiente": Fogo no Cerrado!
A cada ano que passa, mais e mais, o Cerrado do DF míngua sob a violência do fogo! E continuo ouvindo o disparate de que o fogo é algo natural no Cerrado. Que o fogo é sazonal e há que diga até que é benéfico!
Então vamos colocar os pingos nos is: NÃO é natural o Cerrado pegar fogo todo ano. Não há vegetação que consiga se desenvolver sob "fogo cerrado". Até parece que as tais árvores retorcidas, supostamente evoluídas na convivência com o fogo, gostam. Há quem interprete a rebrota desesperada como aquiescência. Não. É grito de pedido de socorro. A beleza que emerge do Cerrado feito em chamas, o contraste das cores com o negro predominante, a rebrota e verde jovem que pulsa... são tão somente, sob minha visão sempre poética do mundo, a forma desesperada que o Cerrado nos emocionar, nos comover e nos pedir para não mais fazer isso. "Ei... olha só como é lindo!". É isso que ouço das plantas que, por algum tempo, ainda insistem em rebrotar. Em poucos anos, porém, elas desistem, vão se embora, deixando o deserto para trás. Deserto que muitos celebram como oportunidade de negócios... novas terras incorporadas ao insaciável mercado imobiliário. E os bichos? Alguém realmente acha que celebram as queimadas anuais? Quando sinto no ar o cheiro de vida em combustão, meu coração diz que não e chora. Por isso, peço divulgação do vídeo abaixo, com o Vandeir, cujo coração também chora quando vê fogo lambendo o Cerrado. Que Vandeir possa tocar o caração das pessoas que o ouvirem.
Esse é um dos episódios inéditos da série "Meu Ambiente", que fiz quando estava na TV Brasil em 2009. O desafio de emocionar e mover para ação em 1 minuto!
Ficha Técnica
Direção, Roteiro e Edição: Helena Maria Maltez
Imagens: José Gomes
Produção: Daniela Bueno
Trilha Musical: Ben Charles
Supervisão Geral: Chico Daniel Silva
Trilha Musical: Ben Charles
Supervisão Geral: Chico Daniel Silva
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Das Embalagens ao Lixo*
O que você vê quando entra em uma dessas grandes lojas de cosméticos
cheias de corredores e prateleiras lotados de potes, tubos, frascos? E o que vê
quando entra em um hipermercado cheio de corredores, prateleiras, caixas,
embalagens, potes, frascos, tubos?
Eu vejo lixo. Montanhas de lixo. E imagino que no prazo de,
em média, 1 ano, tudo o que estou vendo se tornará lixo, amontoado nos lixões a
céu aberto ou boiando em rios, mares, oceanos.
Se forem vendidas, se tornarão lixo assim que os
consumidores descartarem as embalagens nas suas lixeiras. Se não forem
vendidas, se tornarão lixo da mesma forma, pois tudo tem prazo de validade e,
antes que o prazo de validade se esgote, tudo o que está vencendo será
devolvido ao fornecedor, que jogará tudo no lixo.
E são milhares e milhares de lojas de cosméticos,
supermercados, hipermercados, pontos diversos de venda espalhados pelos mais por
pelos quatro cantos do nosso país e mundo.
Não é por menos que no meio do Oceano Pacífico bóia um
continente de lixo destruindo a vida e contaminando tudo ao redor.
Alguém certamente vai pensar... Reciclagem!
Alto lá! Quanto disso tudo é realmente reciclado? Quanto
disso é, de fato, reciclável, se se levar em conta a mescla de materiais
utilizados nas embalagens inviabilizando sua reciclagem? E mais ainda: reciclar
consome uma quantidade imensa de água e energia. Portanto, reciclar não é
panacéia.
A coisa foi perdendo o controle de tal forma que cada um de
nós se sente impotente diante da imensidão do problema. Muita gente ganha muito
dinheiro com essa máquina de produzir lixo. Todo mundo finge que não vê (ou não
vê mesmo... não sei o que é pior!) e a coisa toda vai crescendo numa velocidade
estarrecedora. A pretexto de gerar emprego, a cadeia que vai desde a extração
de cada uma das matérias primas que compõe cada um dos produtos e suas
embalagens até os contratos milionários para coleta do lixo nas cidades, gera,
na verdade, externalidades múltiplas que estão fora do alcance dos nossos
inocentes olhos. Lembrando de apenas algumas, cito o lastro de degradação
ambiental e social nos locais de extração (de petróleo, minérios, plantas e
bichos), a poluição gerada pelas indústrias, a escravidão das pessoas que
trabalham ao longo da cadeia (ou é sonho de criança de todos nós nos tornarmos
máquinas que apertam parafusos “à La” Tempos Modernos?)... e, finalmente, as
montanhas de lixo que poluem e enfeiam o mundo expondo essa doença social civilizatória
que é a sociedade de consumo de massa.
Alimentados por propagandas enganosas e embalagens luxuosas,
nossas fantasias consumistas são insaciáveis. Mal compramos aquele xampu da embalagem colorida e não vemos a hora que
ele acabe para podermos experimentar aquele outro mais novo lançamento. Nas
embalagens, os produtos se promovem de todas as formas, seja anunciando-se como
“lançamento”, “novo”, “nova embalagem”... seja seduzindo o consumidor cativo
mais conservador: “desde 1950”,
“tradição”, “há 30 anos...”.
O que há por trás de tudo isso? O que alimenta nossa sede
implacável de consumo? Se a questão é geração de emprego, porque é que todos os
processos estão sendo sistematicamente mecanizados e informatizados em
detrimento da mão de obra humana? Por que será que todo o sistema de educação
vem sendo sistematicamente conduzido a produzir mão-de-obra para o mercado de
trabalho ao invés de pessoas aptas a desenvolver suas habilidades e dons a
serviço da humanidade? Perguntas que me deixam tonta quando passo diante de uma
dessas imensas lojas de cosméticos...
* Texto publicado originalmente na edição de Julho de 2012 do Jornal Deusa Viva, boletim da Teia de Thea.
Assinar:
Postagens (Atom)

