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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mel... eu quero Mel, quero mel de toda flor

Da esquerda para a direita: mel de abelhas nativas do sítio do Jurandi -  Cafarnaum - BA; mel do norte da Noruega,  presente maravilhoso de família especial; mel da Fazenda São Luiz - São Joaquim da Barra-SP.
E viva a diversidade!

Adoro mel. E soube que é calmante também. Foi Cimara quem me contou. Uma colher antes de dormir e aquela agitação vai-se embora deixando-nos descansar.
Na natureza, as coisas nunca se repetem de maneira completamente igual. Cada mel é diferente do outro. Cada vez que um mel é retirado da colmeia, é impossível saber a priori que gosto terá. Porque trata-se de uma combinação única daquela exata quantidade de néctar de cada flor que estiver florindo naquela exata época naquele exato lugar. O mel de outra caixa, a 50m de distância poderá ter outro sabor, discreta e delicadamente diferente. Afinal, outras flores estarão por ali ou em proporções diferentes. 
Mas nossa cultura ocidental capitalista nos diz que queremos saber exatamente o sabor daquele mel antes de comprá-lo. Para que todos os potes de mel tenham o mesmo sabor, foram desenvolvidas gigantescas máquinas para homogeneizar todo o mel da safra. Misturando tudo, um gosto só. E, pronto, agora podemos saber que gosto terá aquele pote de mel.
Que medo é esse de experimentar algo novo, inesperado? De onde vem essa necessidade termos tudo sob o mais absoluto controle? Porque temos tanta dificuldade de lidar com o desconhecido?
Outra estratégia para que o sabor do mel seja previsível é colocar as caixas de mel dentro de plantações enormes de uma mesma espécie de planta. Obter-se-á um sabor previsível e homogêneo. Mas... esse mel de sabor previsível veio de uma plantação homogênea que, por definição, não pode ser sustentável.
Só um ecossistema biodiverso e sustentável gera méis diversificados feitos por diversas espécies de abelhas.
Enfim, parece-me que nossa curiosidade por experimentar e nosso prazer em apreciar diferentes sabores de mel também é uma atitude importante se o que desejamos são florestas ricas, biodiversas e abundantes enfeitando nosso planeta. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

As Palavras

As palavras borbulham na minha cabeça querendo combinar-se, unir-se, 
juntar-se em combinações perfeitas, harmônicas, equilibradas.
Ah... quem se juntará com "intempestiva"? 
Quem terá coragem de compor algo com "medo"? 
Elas se trombam, se embaralham, formam frases sem sentido.
Se juntam contando estórias, sonhos, desejos...
De repente, se dão conta de que não são compreendidas 
e tentam reagrupar-se de maneira mais simples, honesta, clara. 
Nisso, algumas ficam de fora... somem no ar... deixam de existir. 
E outras, que pareciam não se encaixar, encontram seu perfeito lugar. 


sábado, 19 de novembro de 2011

Série "Meu Ambiente": Lixo Orgânico vira Húmus com Minhocário Caseiro

Aproximadamente 50% de todo o lixo jogado nos lixões brasileiros é composto por lixo orgânico! Transformamos diariamente milhões de toneladas de ouro potencial em problema gravíssimo. Problema porque é justamente essa parte do lixo que causa o maior impacto ambiental nos lixões. Além de atrair ratos e outros bichos nocivos, o chorume produzido polui o solo e o lençol freático. Ouro porque todo lixo orgânico pode se transformar em adubo da maior qualidade. Anacrônico, não é mesmo?

Muitos não sabem o que fazer com o lixo orgânico. Até separam o lixo seco e enviam para reciclar. Mas o incrível é que temos muito mais autonomia para transformar o lixo orgânico do que o seco. Quem de nós consegue reciclar o vidro, o metal ou o plástico? Papel é até possível, apesar de trabalhoso. Mas o orgânico, é tão fácil que não há desculpas para continuarmos misturando com o resto e enviando para os lixões. Como? Utilizando um minhocário caseiro. É o que o Rogério mostra nesse videozinho que fiz para a TV Brasil em 2008.

Se todos nós reutilizássemos o lixo orgânico que produzimos, haveria uma redução drástica na necessidade de coleta pelos caminhões de lixo. Metade dos caminhões dariam conta. Reduziria também a emissão de CO2, o trânsito e a manutenção das ruas. Tudo de bom... Então por que ainda não acontece?



FICHA TÉCNICA
Personagem: Rogério Vereza
Gravação: 28/04/09
Direção: Helena Maltez
Produção: Daniela Bueno
Roteiro: Eládio Teles
Câmera: Henrique Crasto
Edição: Helena Maltez
Trilha Musical: Ben Charles
Supervisão Geral: Chico Daniel Silva

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vozes da Deusa - Primeiro CD das Melissas

Acaba de sair do forno o vídeo que fiz da gravação do primeiro CD das Melissas, grupo vocal da Teia de Thea! Foram dias intensos e lindos, de convivência amorosa e alegre. Incrível a amorosidade, profissionalismo e respeito com que Felipe e Aninha conduziram a coisa toda! Agradeço demais pela oportunidade única de poder registrar momento tão mágico.

sábado, 29 de outubro de 2011

Semente, Bebê de Planta


Acho que foi de Fabiana (dona dessa mão que segura uma semente de pupunha germinando) que ouvi pela primeira vez essa história de semente ser bebê de planta. É incrível como a gente nem sempre se dá conta das coisas óbvias. Nunca mais pude ser a mesma depois que Fabiana me disse isso. Afinal, como é que eu poderia, dali por diante, jogar um punhado de sementes de mamão na lixeira? Como eu poderia fazer isso sabendo que de cada uma daquelas dezenas de sementes poderia surgir um mamoeiro que, por sua vez, poderia produzir dezenas de mamões, uma de minhas frutas prediletas? A Fabiana tem um poema lindo que fala sobre isso, sobre a potencial árvore que existe dentro da semente e junto com a árvore, os pássaros, os grilos, as lagartas, as borboletas, as frutas, as sementes e novamente as árvores.

A capacidade da vida em produzir vida é algo assombroso! Uma vez tendo mamões no quintal, dificilmente você deixará de tê-los para sempre. Sem fazer esforço nenhum. Somente deixando que as mudinhas plantadas pelos passarinhos cresçam. E assim com todas as outras. É incrível como a vida insiste e surge, como ela se apresenta em toda sua abundância e beleza se deixarmos que ela venha, se intervirmos somente na medida em que pensarmos sobre como cada um de nossos atos de manejo pode gerar mais vida do lugar em que vivemos.

Por isso, hoje, depois de uma manhã plantando e manejando com as meninas da Vila das Crianças, me sinto cheia de esperança e de vontade de fazer mais e mais... Cheia de energia para continuar, prosseguir e fazer o que tem que ser feito.

sábado, 22 de outubro de 2011

Série "Meu Ambiente": Bicicleta como Meio de Transporte

Essa foi a segunda pílula realizada para a série "Meu Ambiente" (que, no final das contas, nem se chamou assim porque o nome já estava registrado!), e a primeira que eu editei praticamente sozinha. Era domingo e o Henrique, meu colega na TV Brasil, me ensinou a usar o Adobe Première Pro. De madrugada eu tinha terminado. Virou minha cachaça. 

Na busca de personagens para esse filme, conheci várias tribos que curtem a magrela no esporte e no lazer. Também conheci o pessoal dos movimentos que discutem a questão da mobilidade urbana. Foi então que aprendi que não se trata somente de usar a bicicleta no lugar do carro, além disso, é necessário repensar as cidades para que: (i) não precisemos nos deslocar tanto; (ii) haja um sistema de transporte público de excelência, que atenda a cidade toda com conforto e segurança; (iii) se desenvolva uma cultura de paz e respeito no trânsito entre bicicletas, carros, veículos coletivos, motos, caminhões... ; (iv) haja um sistema de ciclovias que realmente correspondam às necessidades de deslocamento das pessoas e não somente passeios que não levam de nenhum lugar a lugar nenhum, e assim por diante.

Bicicletas e pedestre sofrem em Brasília. O que mais me impressiona, me inquieta e me deixa indignada é a falta de calçadas. Fico atônita. Fora do Plano Piloto simplesmente não há calçadas! Quem pode imaginar uma coisa dessas? Uma cidade sem calçadas! Uma visão bizarra: legião de pessoas caminhando na beira do asfalto, no meio da grama, na terra. A cidade se expande à velocidade da luz e os erros se perpetuam, cada centímetro sendo incorporado ao patrimônio privado em detrimento do espaço necessário para o deslocamento seguro e agradável das pessoas. Enfim... muito a se fazer, muito a se mudar, muito a se pensar e mil soluções possíveis.

Personagem: Manuel Corrêa
Direção: Helena Maltez
Câmera: José Gomes
Roteiro: Eládio Teles e Helena Maltez
Edição: Helena Maltez 
Produção: Daniela Bueno
Trilha Musical: Ben Charles
Supervisão Geral: Chico Daniel Silva




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Série "Meu Ambiente": Sacolas Ecológicas

Finalmente, compartilho aqui os filmetes da série "Meu Ambiente" que dirigi quando eu estava na TV Brasil. Foi-me pedido para bolar uma série de interprogramas de 1 minuto sobre meio ambiente para ser exibida nos intervalos da programação.

Primeiro pensei: "1 minuto? Mas isso não é nada...". Então resolvi fazer uma limonada. E descobri que 1 minuto pode ser bastante tempo! E que às vezes é suficiente. Foi então que decidi mostrar pessoas reais, que incorporaram no seu dia-a-dia atitudes simples que elas consideram que contribuem com a conservação da natureza. Todos os personagens falam com o coração, falam a partir de uma verdade acreditada e vivida. Conheci pessoas incríveis. Quase todas se tornaram amigos ou amigas. Qual não foi minha surpresa quando comecei a mostrar os vídeos nos lugares onde eu ia e as pessoas se envolviam, queriam contar o que faziam, se comprometiam a assumir novos hábitos. Percebi a força da fala e da biografia das pessoas. Algo óbvio e publicado em verso, prosa e trabalho científico: a empatia que acontece quando alguém faz algo bom, quando alguém mostra que é possível e fácil fazer o bem. Foi então que me tornei, magicamente, documentarista.

Esse que apresento aqui, sobre o uso de sacolas ecológicas ou permanentes, foi o piloto da série. Tema atualíssimo e muito mal resolvido. Todo mundo sabe o impacto que essas sacolas estão causando, há legislação em vários países e em vários municípios brasileiros, mas essas leis não conseguem entrar em vigor ou serem implementadas por esse motivo ou aquele. Um desses ou daqueles é, obviamente, a indústria de sacolas de plástico, que chora a perda de empregos que o fim das sacolas causaria! E argumenta que o problema não é o plástico, são as pessoas que os jogam em qualquer lugar! Enfim... essa loucura toda que faz a minha cabeça girar... e querer fazer mais filmes... mostrando as alternativas, as possibilidades, as saídas, a mudança necessária para continuarmos desfrutando da maravilha que é viver em um Planeta Vivo chamado Terra.

A personagem desse piloto é Taís Benato, que se tornou amiga querida depois que a série nos apresentou uma à outra. Foi ela que me mostrou um de meus filmes prediletos: "La Belle Verte", que sempre exibo nas minhas oficinas de jardinagem agroflorestal. Valeu Taís!

Ficha Técnica:
Concepção e Direção: Helena Maltez, Câmeras: Henrique Adônis Lucena, Roteiro: Helena Maltez e Eládio Teles, Edição: Henrique Crasto e Helena Maltez, Produção: Daniela Bueno, Trilha Musical: Ben Charles; Supervisão Geral: Chico Daniel Silva.